O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD VanceEPA/SHAWN THEW

Vice-Presidente dos EUA recusa ver transmissão em direto de execução por fuzilamento

JD Vance lançou ainda dúvidas sobre se a transmissão, criticada pela oposição democrata, mas também por muitos políticos conservadores, ocorrerá de facto.
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O vice-presidente dos Estados Unidos afirmou esta sexta-feira, 9 de outubro, que não irá assistir à execução por fuzilamento do autor de um massacre numa base militar norte-americana, caso seja transmitida em direto, tal como anunciado pelo Departamento de Defesa (Pentágono).

”Se for transmitido em direto, não vou assistir”, disse JD Vance aos jornalistas durante uma visita de campanha ao Ohio (centro-norte), referindo-se a esta decisão do secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, criticada pela oposição democrata, mas também por muitos políticos conservadores.

Vance lançou ainda dúvidas sobre se a transmissão ocorrerá de facto.

"Não sei se isso vai realmente acontecer", disse, tentando, em seguida, pôr de lado a controvérsia em torno dos planos chocantes de uma execução pública e afirmou que os crimes não devem ser esquecidos.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (EUA) tinha confirmado horas antes que pretende transmitir em direto a execução de Nidal Hasan, condenado à morte pelo ataque que matou 13 pessoas e feriu outras 32 em 2009 na base militar de Fort Hood, no Texas.

"Portanto, seja qual for a controvérsia em torno do método de execução, espero que as pessoas não se esqueçam de que se trata de um homem que assassinou brutalmente muitas pessoas inocentes", afirmou Vance.

Vance converteu-se ao catolicismo em 2019 e a Igreja Católica há muito que se posiciona contra a pena de morte.

O anúncio da transmissão da execução por pelotão de fuzilamento pelo Pentágono tem gerado uma onda de críticas, entre elas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O Pentágono recusou comentar as críticas do Alto Comissariado da ONU à transmissão pública da execução, prevista para 03 de dezembro, e um responsável do Departamento de Defesa limitou-se a confirmar o anúncio feito na quinta-feira por Hegseth.

"O secretário tem razão. Será transmitida em direto. Os detalhes serão divulgados posteriormente", afirmou a fonte militar.

Hasan, antigo major do exército norte-americano, deverá ser executado em Fort Hood por um pelotão de soldados armados com espingardas.

Não está ainda esclarecido se haverá público presente na base militar ou se serão disponibilizadas outras formas de acompanhamento da execução.

Nidal Hasan é um cidadão norte-americano muçulmano de origem palestiniana que matou a tiro 13 pessoas em novembro de 2009, num centro médico na base de Fort Hood, no Texas.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance
Execução de autor do massacre de Fort Hood será transmitida ao vivo

"Como salientou o Alto Comissário em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irão, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano ou degradante. A transmissão em direto de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura", avaliou o Alto Comissariado da ONU numa mensagem enviada à agência de notícias AFP.

"O desrespeito por esta proibição tornaria inevitavelmente a execução arbitrária por natureza. Isso acarretaria uma violação do direito à vida", acrescentou.

O Alto Comissariado recordou que, segundo o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, "a proibição absoluta da tortura proíbe as execuções públicas".

O homicida, que desempenhava funções de psiquiatra militar, pretendia impedir os soldados de participarem numa guerra que considerava ilegal no Afeganistão e no Iraque.

Hasan foi considerado um "lobo solitário" do grupo ‘jihadista’ Al-Qaida. Atingido na coluna vertebral durante o tiroteio, ficou numa cadeira de rodas, tendo sido condenado à morte em 2013.

Esta será a primeira execução militar por fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial, quando Eddie Slovik foi executado por deserção em 1945.

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