O vice-presidente dos EUA, JD Vance, criticou esta terça-feira (7 de abril) os “burocratas de Bruxelas” pela alegada “interferência” nas eleições húngaras do próximo domingo (12 de abril), ao mesmo tempo em que elogiava o primeiro-ministro Viktor Orbán como alguém que “defende ferozmente” o seu país e “os valores da civilização ocidental” e se preparava para participar num dos seus comícios. Após 16 anos no poder, o Fidesz de Orbán surge nas sondagens muito atrás do partido da oposição Tisza, de Péter Magyar.“A relação e a amizade entre a Hungria e os EUA são muito importantes para nós”, disse o vice-presidente a Orbán, antes de negociações à porta fechada. “Em parte porque amamos o povo húngaro e esta nação e cultura incríveis, mas em parte porque o presidente [Donald Trump] vos ama, e eu também, porque vocês são uma parte tão importante daquilo que tornou a Europa forte e próspera”, acrescentou, dizendo querer ajudar Orbán o máximo que puder. “Não espero, obviamente, que o povo da Hungria dê ouvidos ao vice-presidente dos EUA, não é essa a principal razão da minha presença aqui”, alegou na conferência de imprensa ao lado de Orbán. “Mas queria enviar um sinal a todos, especialmente aos burocratas de Bruxelas, que fizeram tudo o que podiam para oprimir o povo húngaro porque não gostam do líder que defende ferozmente o povo da Hungria”, referiu, defendendo que a União Europeia tentou destruir a economia húngara e a sua independência energética. “Não vou dizer ao povo húngaro como votar. Encorajo os burocratas de Bruxelas a fazerem exatamente a mesma coisa”, acrescentou, mostrando-se confiante na vitória de Orbán. Vance queixou-se, por exemplo, da censura europeia sobre as redes sociais e o que informação os eleitores húngaros podem receber e alegou que também a secreta ucraniana estava a tentar interferir (tal como diz que fizeram nas eleições norte-americanas), sem apresentar provas.O primeiro-ministro húngaro, em choque com os parceiros europeus pelo seu travão a dar mais apoio à Ucrânia e pela sua ligação ao presidente russo, Vladimir Putin, tem acusado Bruxelas de “grave violação da soberania” da Hungria e “interferência nas eleições” cada vez que alguém expressa o menor sinal de apoio a Magyar. Mas não teve problemas ao ouvir Vance ou convidá-lo para participar num comício que batizou de “Dia de Amizade Hungria-EUA” - onde ambos voltaram a atacar Bruxelas. Na sua intervenção, Orbán disse que as instituições da UE são usadas “para calar qualquer um que ameaça o seu poder”, defendendo que a “Reconquista da Europa” começará na Hungria. E que, com o apoio de Washington, Bruxelas vai ser transformado “de quartel-general dos progressistas num bastião de patriotas”. O discurso de Vance começou com um telefonema para Trump, que elogiou Orbán como “um homem fantástico”. O vice-presidente disse depois que os EUA “admiram” aquilo pelo qual ele está a “lutar”, falando da “independência” e da “soberania”.Os elogios ao primeiro-ministro húngaro, contrastaram com os ataques à Europa, que acusa de ceder às ideologias da esquerda radical. Vance denunciou também a “corrupção” de Bruxelas, colocando a Hungria de Orbán como a “alternativa” a tudo o que está mau no Velho Continente.“Nenhum país estrangeiro pode interferir nas eleições húngaras. Este é o nosso país. A história da Hungria não é escrita em Washington, Moscovo ou Bruxelas - é escrita nas ruas e praças da Hungria”, escreveu no X, antes do início da viagem de Vance, aquele que as sondagens dizem ser o favorito à vitória nas eleições, Péter Magyar. E depois de o ter ouvido dizer que Washington vai trabalhar com quem quer que ganhe as eleições, falou nos EUA como um “parceiro fundamental”, tanto na NATO como económico, convidando Trump e o vice-presidente para o 70.º aniversário da Revolução Húngara (a 23 de outubro)..Podem as eleições de domingo ser o fim do “reinado” de 16 anos de Viktor Orbán na Hungria?