Paris este sábado, 24 de outubro.
Paris este sábado, 24 de outubro.Foto: FIRAS ABDULLAH/EPA

Vaga de protestos na Europa. Mil pessoas detidas em França e "número vai aumentar"

Europeus manifestam-se em França, Itália, Espanha, Albânia e também em Portugal contra a subida do custo de vida, dificuldades de acesso à habitação e falta de condições nas escolas.
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Quase mil pessoas foram detidas durante as manifestações deste sábado (24 de outubro) em França. Este é o balanço provisório do ministro do Interior, que sublinhou que a intervenção policial permitiu evitar pilhagens e ataques a edifícios públicos.

Em declarações aos jornalistas, transmitidas pela televisão BFMTV, Laurent Nuñez indicou que as detenções superam as 385 registadas no sábado passado. O governante acrescentou que o "número ainda vai aumentar significativamente". 

O ministro descreveu os protestos como "bem, enquadrados pelas forças de segurança interna”. 

A maioria dos incidentes foram causados por militantes de "ultraesquerda e de extrema-esquerda" em cidades como Paris, Marselha, Nantes, Rennes, Tours, Bordéus, Dijon, Grenoble, Marselha e Toulouse. 

No entanto, também referiu que em Nice e Montpellier se registou a "presença de militantes da extrema-direita que procuravam confrontar militantes da extrema-esquerda ou, pelo menos, proteger as lojas", algo que disse ser inédito. 

Nuñez garantiu que "o dispositivo de segurança permanece em vigor até muito tarde esta noite" para "evitar que os grupos se dispersem e tentem chegar aos centros das cidades para cometer saques". 

Segundo o Ministério do Interior, participaram nas manifestações em França, 410 mil pessoas, mas o sindicato CGT estimou que o número seja quase o dobro, 800 mil.

Em Paris, na manifestação Ato II, que partiu da Porta de Itália para a Praça de Vincennes, caminho imposto pelas autoridades e que evita a zona da Bastilha e o centro da cidade, foi daquelas que a polícia teve de intervir.

Paris este sábado, 24 de outubro.
Paris este sábado, 24 de outubro.Foto: FIRAS ABDULLAH/EPA

Nesta manifestação participam mais de cem mil pessoas, avançou a polícia.

Apesar de se ter iniciado "de forma calma", pelas 14h00 locais (menos uma hora em Lisboa) segundo as autoridades, a tensão rapidamente aumentou tendo as autoridades utilizado canhões de água, para dispersar alguns focos de violência.

Paris este sábado, 24 de outubro.
Sob fortes restrições, protestos em massa voltam às ruas francesas este sábado

Gás lacrimogéneo em Bruxelas

A polícia belga usou este sábado à tarde gás lacrimogéneo contra os jovens que derrubaram o cordão policial que impedia os manifestantes de terem acesso às principais ruas do centro de Bruxelas.

O protesto contra aumento do custo de vida e dos combustíveis começou junto à Estação Central por volta das 14h00 locais (13h00 em Lisboa) de forma pacífica, mas cerca de 300 jovens, quando a manifestação estava próxima do centro de Bruxelas, derrubaram o cordão policial para tentarem chegar às principais ruas.

Segundo a imprensa belga, a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e tentou bloquear o acesso a várias ruas.

Várias lojas fecharam, com as montras protegidas, após os atos de vandalismo da semana passada.

25 mil nas ruas em Madrid

Os cerca de 25 mil manifestantes registados pelas autoridades madrilenas, segundo a AFP, fizeram um percurso desde a estação de Atocha e a rua Alcalá, passando pelo Museu do Prado e a praça de Cibeles.

Em Madrid, na praça da Puerta del Sol, há também uma acampada pelo direito à habitação que entra hoje no 28.º dia.

Foto: SERGIO PEREZ/EPA

Os protestos decorrem igualmente em Itália contra o aumento do custo de vida, os baixos salários e o aumento da despesas com a Defesa. As autoridades reforçaram a segurança nas principais cidades, como Roma e Milão, uma semana depois dos tumultos no norte do país.

Em Tirana, na Albânia, os jovens estudantes continuam na rua contra as más condições de ensino e a falta de oportunidades.

Paris este sábado, 24 de outubro.
Lisboa. Acampada decide voltar a acampar no Rossio este sábado

Em Lisboa arrancou às 15 horas uma manifestação sob o lema "Não temos casa, montamos tendas!". Saiu do Marquês de Pombal tendo como objetivo o Rossio, onde, desde o passado sábado, uma acampada tem reivindicado medidas para resolver a crise da habitação.

Com Lusa

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Itália está em alerta máximo devido a manifestações imprevisíveis
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