Lei eleitoral brasileira é muito permissiva quanto a nomes dos candidatos: só não podem ter mais de 30 caracteres e atentar contra o pudor. Há por isso vários Lulas e Bolsonaros, mas também o Gordinho do Momento, a Mãe Leoa, o Cowboy do Povo e até o Zé Ninguém.
Lei eleitoral brasileira é muito permissiva quanto a nomes dos candidatos: só não podem ter mais de 30 caracteres e atentar contra o pudor. Há por isso vários Lulas e Bolsonaros, mas também o Gordinho do Momento, a Mãe Leoa, o Cowboy do Povo e até o Zé Ninguém.

Um Trump, oito Lulas, 20 Bolsonaros e muito mais bizarrices nas eleições do Brasil

Os brasileiros vão poder votar em sósias, super-heróis, músicos estrangeiros e muito mais num festival de alcunhas para todos os gostos. E até em nove candidatos com mandato de prisão em aberto…
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Há mais eleições no Brasil além do duelo para o Palácio do Planalto entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Aliás, há até mais oito Lulas e mais 20 Bolsonaros, segundo a lista final de 20.506 candidatos a presidente, a senador, a deputado federal e a deputado estadual registados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o sufrágio de 4 de outubro. Como de costume, o ato eleitoral no gigante país sul-americano é também um festival de bom humor, segundo os brasileiros mais divertidos, ou de aberrações, de acordo com os brasileiros mais cansados de tanta informalidade. 

Comecemos pelos homónimos: oito candidatos aos diversos cargos em disputa, dois deles mulheres, usam na urna o nome “Lula”, em homenagem, claro, ao atual presidente da República e candidato à reeleição. Aliás, sete. Porque um, que se chama Luís e partilha o diminutivo com o chefe de estado, autodenomina-se “Lula do Bem” e é fervoroso bolsonarista, como se depreende do nome de guerra completo.

Entretanto, há um aumento de 900% de candidatos a parlamentares que se apresentam nas urnas com o apelido Bolsonaro: em 2022, eram dois, em 2026, são 20. O motivo do crescimento, muito provavelmente, é a ausência, por prisão e por inelegibilidade, do original.

O mais falado dos 20 é o Bolsonaro da Shopee, numa alusão a uma plataforma de comércio eletrónico singapurense concorrente das chinesas Shein e Temu muito popular no país. Vilmar Rigo, o nome verdadeiro dele, é fisicamente parecido, de facto, com o ex-presidente Jair Bolsonaro e defende causas comuns, como a defesa do setor do agronegócio na economia e do conservadorismo na área comportamental.

Não estão contabilizados no grupo daqueles 20 Bolsonaros, entretanto, os nomes de Flávio, Carlos e Jair Renan (todos filhos de Jair), Michelle (mulher do ex-presidente), Rogéria (ex-mulher), Renato (irmão), Marcelo (primo) e Valéria (mulher de um outro primo) que usam o nome de família e são mesmo da família.

De resto, há alcunhas para todos os gostos ou não fosse a lei eleitoral brasileira muito permissiva a nomes engraçados – ou abomináveis para os tais eleitores que acham que eleição é coisa séria demais para brincadeiras. Segundo o TSE, os nomes só não podem ter mais de 30 caracteres e atentar contra o pudor.

A excepção para tanta condescendência são as candidaturas a presidente da República: aí não são permitidas alcunhas, só o nome oficial de batismo. Por isso, Luiz Inácio da Silva incorporou “Lula”, diminutivo de infância, em cartório logo em 1982. Mais tarde foi a vez da ambientalista candidata três vezes à presidência Maria Osmarina Silva se passar a chamar oficialmente Maria Osmarina Marina Silva para usar o “Marina” pelo qual é conhecida – como nesta eleição a ministra do Ambiente de Lula concorre ao Senado até poderia usar o nome Marina sem o ter, de facto.

De resto, os brasileiros vão então poder votar em Mick Jagger, nome de guerra de Walcy Vieira, um candidato magro, cabeludo, já com uma certa idade e cara de rockstar, ou Plínio Trump, que aproveita a parecença com o presidente americano para se fotografar nos boletins de voto com olhar de desafio e cabelo alaranjado.

Há mais sósias, como Gugu Liberato e Faustão, em referências a históricos da TV brasileira, e a Xuxa do Amazonas que, pelo contrário, não tem nada a ver com a apresentadora loura: é um homem negro.

Temos ainda o Gordinho do Momento, o Pai Amado, o Quem Quem, o Lambe-Lambe, o Solitário, a Mãe Leoa, o Cartão Vermelho, o Macarrão, o Neguinho Celular, o Dr. Vira Lata, o Raposão do Povão, o Gordo do Crocodilo, o Faca na Bota, o Bad Boy ou a já clássica Keila Acaba Não Mundão, todos candidatos que buscam expor-se na urna. E há o oposto: o modesto candidato Zé Ninguém, que na verdade se chama Emerson…

Não param por aqui os candidatos com alcunhas inusitadas, muitas vezes já usadas no dia a dia nas respectivas cidades, para serem mais facilmente identificados pelo eleitor na hora de votar como Ney Flash, Fernando Monstrinho, Batata Neles, Japonês das Caçambas, Caio do Vovô Anésio, Edmissil, O Bichão do MS, Baiano Audácia Pura, Ademir Máximo Respeito, Eugênio Gratidão, Cesinha Com Todo o Gás, Zorro, Hulk da Selva, Chocolate, Cowboy do Povo, Pirata do Mato Grosso, Preta das Domésticas, Pé No Chão e Leonardo da Vinci. Aliás, este último, candidato a deputado estadual pelo partido Mobiliza, é mesmo homónimo do génio renascentista.

Destaque, por outro lado, para o candidato Edmar Trezoitão, a propósito do revólver .38, uma das armas de fogo mais usadas no Brasil. Concorre, claro, pelo PL dos Bolsonaros.

Por outro lado, nove candidatos são alvo de mandados de prisão em aberto, segundo levantamento do portal G1, que cruzou os registos de candidaturas com a base do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Cinco concorrem à Câmara dos Deputados, três às assembleias legislativas e um ao cargo de segundo suplente de senador, em seis Estados. Todos eles têm dívidas de pensão de alimentos.

Nas municipais de 2024, eram 61 os candidatos nessas condições, alguns a responder por crimes de homicídio, roubo e violação de vulnerável.

Lei eleitoral brasileira é muito permissiva quanto a nomes dos candidatos: só não podem ter mais de 30 caracteres e atentar contra o pudor. Há por isso vários Lulas e Bolsonaros, mas também o Gordinho do Momento, a Mãe Leoa, o Cowboy do Povo e até o Zé Ninguém.
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