Um navio com pavilhão da Libéria foi atingido esta terça-feira, 4 de agosto, por um projétil desconhecido quando navegava perto da costa de Omã. Esta foi apenas a última embarcação a ser atacada naquela passagem marítima desde o seu encerramento na sequência dos ataques israelo-americanos contra o Irão, a 28 de fevereiro. Na altura, cerca de 1500 navios e 20 mil marinheiros ficaram impedidos de atravessar o estreito por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A Organização Marítima Internacional estima que ainda hoje estejam retidos em Ormuz mais de 6000 marinheiros. Perante este cenário e enquanto as negociações entre EUA e Irão para desbloquear a situação e pôr fim à guerra parecem evoluir, mas ainda estão num impasse, Teerão estará perto de chegar a acordo com Omã para dividirem o estreito entre si. Segundo o New York Times, que cita fontes próximas das negociações, o acordo determinará que os navios que se dirigem para o Golfo Pérsico transitarão por um canal controlado pelo Irão e próximo da sua costa. Os navios que saírem do Golfo navegarão por um canal próximo de Omã.De acordo com o mesmo jornal, as autoridades iranianas negam que passem a ser cobradas portagens, mas o acordo incluirá uma “taxa de serviço” para cobrir o impacto ambiental do tráfego marítimo, a segurança dos navios de carga e dos petroleiros, bem como os custos com pessoal. As receitas serão divididas em partes iguais entre o Irão e Omã, afirmaram dois altos responsáveis iranianos ao NYT.No mês passado, no entanto, o Irão rejeitou uma proposta semelhante para dividir o controlo do estreito com Omã. E os analistas duvidam que a liderança iraniana tenha mudado de ideias.A confirmar-se, este acordo virá consolidar o controlo de Teerão sobre o que, antes do início da guerra, era uma via navegável internacional aberta. Resta saber se os EUA aceitarão estas disposições. Mas a verdade é que, ao restabelecer o tráfego de navios pelo estreito, o acordo viria resolver uma das questões mais prementes para o presidente Donald Trump e aliviar a pressão sobre o preço dos combustíveis e, consequentemente, sobre a economia mundial. O mesmo NYT cita um alto responsável que desvaloriza esta possibilidade de acordo entre o Irão e Omã, afirmando que quaisquer rotas “temporárias” estabelecidas através do estreito não implicariam aprovações ou autorizações de Teerão, nem estariam sujeitas a portagens.Entretanto, a Administração Trump mostrava-se esta terça-feira otimista em relação a um acordo entre EUA e Irão que permitisse também reabrir o Estreito de Ormuz. Primeiro foi o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a garantir na CNBC que um acordo podia acontecer em 24 horas. “Estamos em negociações com os iranianos e há a possibilidade de chegarmos a um acordo hoje ou amanhã para abrir o estreito e avançarmos para uma situação mais normalizada neste conflito”, afirmou. Pouco depois, o secretário de Estado era mais comedido. Admitindo ter havido “progressos” nas negociações, Marco Rubio reconheceu ainda não haver acordo, mas esperar que este aconteça “muito em breve”. A esperança de que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz esteja para breve repercutiu-se logo nos mercados, com os preços do petróleo a caírem mais de 4%, com o barril de Brent a negociar perto dos 80 dólares. .Estados Unidos admitem acordo para reabrir estreito de Ormuz até quarta-feira.Preço do petróleo cai mais de 4% com esperança de reabertura do estreito de Ormuz