O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, admitiu esta terça-feira, 4 de agosto, que poderá ser alcançado até quarta-feira um acordo para reabrir o estreito de Ormuz e normalizar a situação naquela rota marítima estratégica, apesar de Teerão negar a existência de negociações diretas com Washington.“Estamos em negociações com os iranianos e penso que há uma possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo com vista à reabertura do estreito e à normalização da situação”, declarou Scott Bessent, numa entrevista à estação televisiva CNBC.Questionado sobre a eventual cobrança de taxas pelo Irão para a utilização do estreito, o secretário do Tesouro respondeu acreditar que a passagem será feita em condições de “liberdade de circulação”.A situação continua, contudo, tensa no estreito de Ormuz, onde um navio voltou a ser atingido durante a noite. O incidente ocorreu apesar do otimismo manifestado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que assegura que as negociações com o Irão estão a avançar e que esta rota marítima estratégica poderá reabrir já hoje.O Irão negou a existência de qualquer diálogo com os Estados Unidos, embora tenha admitido novas conversações com Omã.“Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, na segunda-feira, durante a conferência de imprensa semanal.Também na segunda-feira, o chefe de Estado norte-americano, de 80 anos, contrariou a versão da República Islâmica e garantiu que as negociações estavam a decorrer “neste preciso momento”.“Esta é a última oportunidade que os iranianos têm de assinar um bom acordo”, declarou o republicano aos jornalistas na Casa Branca, referindo-se a discussões centradas, em particular, na reabertura do estreito, que poderá acontecer “já amanhã”, assegurou.Scott Bessent mostrou-se igualmente otimista quanto aos efeitos que um eventual acordo com o Irão poderá ter nos preços da energia, adiantando que centenas de navios aguardam autorização para retomar as respetivas rotas.“Embora a situação continue um pouco tensa desde há alguns dias, temos visto bastantes navios a sair do estreito, mesmo neste momento”, afirmou.“Espero, portanto, que os preços da energia voltem ao normal, o que, como já disse, será benéfico para o mundo inteiro”, acrescentou o secretário do Tesouro.Por volta da 01:00, em Lisboa, o barril de petróleo norte-americano WTI subia 0,49%, para 80,73 dólares (70,2 euros), enquanto o Brent do mar do Norte, referência mundial, avançava 0,6%, para 84,27 dólares (73,2 euros).Também na segunda-feira, Donald Trump acusou as petrolíferas norte-americanas de ganharem “dinheiro a mais” e exigiu uma descida dos preços.“Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado”, afirmou o Presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.Apresentando-se como “um forte defensor da livre iniciativa”, Trump apontou a ExxonMobil e a Chevron como algumas das empresas que mais lucraram com as consequências da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, que fez disparar os preços dos produtos petrolíferos.“Quando se vê que uma empresa multiplicou por doze o que gerou no ano anterior, deve devolver parte desse lucro ao público”, insistiu o líder da Casa Branca, observando que as grandes petrolíferas “têm todos os incentivos para baixar os preços nas bombas de gasolina”.A ExxonMobil anunciou que o seu lucro líquido duplicou no segundo trimestre de 2026, atingindo 14,5 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros). A Chevron registou, no mesmo período, um resultado de 12,1 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), cinco vezes superior ao de um ano antes..Médio Oriente. Irão avisa que vai reforçar bloqueio do estreito de Ormuz