Ulisses Correia e Silva, presidente do Movimento para a Democracia (MpD), vai tentar nas eleições legislativas do próximo domingo um terceiro mandato consecutivo como primeiro-ministro de Cabo Verde. Uma prova que acredita que vai conseguir superar, como tem afirmado durante a campanha.“Estamos em contacto com as pessoas, sentimos uma vibração positiva, motivada e essencialmente porque a democracia está a funcionar”, referiu o governante numa ação de campanha em Praia Baixo, sublinhando que Cabo Verde é uma democracia madura e que isso se traduzirá numa votação com tranquilidade e de escolha em liberdade. “Estou convencido que vão decidir a favor do MpD”, notou.Nascido na Praia há 63 anos, Ulisses Correia e Silva passou por vários cargos até chegar à chefia do Governo, mas foi a autarquia da capital cabo-verdiana que serviu de trampolim para a liderança do executivo. Foi secretário de Estado das Finanças, entre 1995 e 1998, tendo depois subido a ministro da área (1999 a 2001), altura em que o escudo cabo-verdiano passou a estar ligado ao euro, o que teve impacto positivo na economia do país. Seguiu-se a vitória do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV) nas legislativas de 2001, o que o levou a assumir o lugar de deputado, tendo chegado a líder parlamentar do maior partido da oposição (2006 e 2008). Paralelamente, deu aulas na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, entre 2002 e 2007.Quando chegou à liderança do Movimento para a Democracia (MpD), em 2013, Ulisses Correia e Silva já estava há cinco anos à frente da Câmara da Praia, que conquistou com o mote de campanha “Praia tem solução”. Em 2016, quando abandonou o seu cargo autárquico e decidiu candidatar-se a primeiro-ministro, adaptou esta mensagem vencedora para “Solução para Cabo Verde”, o que lhe valeu uma maioria absoluta.Casado e com dois filhos, licenciou-se no final dos anos 1980 em Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia, da Universidade Técnica de Lisboa. Foi também nesta década que jogou basquetebol em Cabo Verde, sendo conhecido pela alcunha de Cutchis, ao lado de então jovens como José Fernandes, que veio a ser diretor-geral da Televisão de Cabo Verde, Alexandre Monteiro, mais tarde ministro do Comércio, Indústria e Energia, ou Fernando Évora, ex-presidente do Conselho de Administração da EMPROFAC (Empresa Nacional de Produtos Farmacêuticos). Após a licenciatura em Lisboa, regressou a casa para trabalhar no Departamento de Administração do Banco de Cabo Verde, primeiro como técnico superior e depois como diretor, funções que abandonou para integrar o governo de Carlos Veiga, fundador do MpD e a quem Ulisses Correia e Silva sucedeu como presidente do partido.Agora apresenta-se pela terceira vez a votos à procura da sua terceira maioria absoluta com uma lista de candidatos renovada. “Conseguimos uma renovação aceitável, superior a 60%, com garantias de obter um grupo parlamentar bastante renovado, num índice próximo dos 50%, com uma taxa de inclusão de jovens, com menos de 35 anos, a rondar os 25%”, afirmou o secretário-geral do MpD, Agostinho Lopes no início de abril, revelando ainda que as listas incluem “quadros sem filiação partidária, com visibilidade social”, que o partido considera uma mais-valia.Não existem estudos de opinião recentes por causa da legislação eleitoral, que proíbe a sua divulgação durante a campanha (que começou em março), mas uma sondagem da Afrosondagem conhecida em meados de janeiro, indica que o MpD lidera as intenções de voto a nível nacional - com 31% das preferências, seguido do PAICV (25%), e da UCID (4%) - mas a leitura por círculos eleitorais dá uma vantagem ao MpD, mas com o PAICV a liderar em círculos como Boa Vista (37%) e Santiago Sul (32%), o maior do país e pelo qual Ulisses Correia e Silva é candidato.Os dois principais rivais à vitóriaO Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), a maior força da oposição, apresentou Francisco Carvalho, presidente da Câmara da Praia há seis anos, para regressar à liderança do governo. Carvalho, de 55 anos, lidera ainda o PAICV desde maio de 2025. Já a União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID) terá como cabeça de lista João Santos Luís, de 61 anos, que lidera o terceiro maior partido do país desde março de 2022. Ao longo do seu percurso político, foi eleito deputado municipal em São Vicente (2008 -2012), e é deputado nacional 2011..Marcelo considera “imparável” cooperação entre Portugal e Cabo Verde