A presidente da Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira, 25 de junho, na cidade polaca de Gdansk, no primeiro dia da edição deste ano da Conferência de Recuperação da Ucrânia, que Bruxelas pagou a Kiev 3,2 mil milhões de euros, a primeira tranche do empréstimo europeu de 90 mil milhões, cujo acordo final foi selado em abril. “A Ucrânia próspera de amanhã exige hoje investimentos maciços”, afirmou Ursula von der Leyen. “Desde o início da invasão em grande escala pela Rússia, a União Europeia e os seus Estados-membros forneceram mais de 200 mil milhões de euros em apoio económico, financeiro e militar. E, com o Empréstimo de Apoio à Ucrânia, vamos fornecer mais 90 mil milhões de euros ao longo dos próximos dois anos”. A líder do executivo comunitário anunciou ainda que a UE vai começar “a libertar, nos próximos dias, a primeira parcela dos 6 mil milhões de euros destinados à produção de drones”.A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, revelou que “os recursos já foram transferidos para o orçamento do Estado e serão utilizados para reforçar as capacidades de defesa e a resiliência social da Ucrânia”. O ministro das Finanças, Sergii Marchenko, foi mais específico, dizendo que esta tranche será usada “para financiar despesas prioritárias do orçamento do Estado, apoiar a estabilidade macroeconómica e garantir o funcionamento ininterrupto do Estado durante a guerra em grande escala”. Esta conferência fica marcada pela ausência de Volodymyr Zelensky no âmbito das tensões diplomáticas entre Varsóvia e Kiev desde que, no final de maio, uma unidade das forças especiais do exército ucraniano recebeu o nome de “Heróis do Exército Insurgente Ucraniano” (UPA). Este movimento, na época da Segunda Guerra Mundial, lutou contra diversas frentes que ocupavam ou ameaçavam o território ucraniano, incluindo a Alemanha nazi, tendo sido responsável pelos massacres de polacos na Volínia e na Galiza Oriental (regiões que hoje pertencem à Ucrânia), oficialmente reconhecidos pela Polónia como genocídio.O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, abordou esta tensão diplomática na abertura da reunião, apelando para que polacos e ucranianos construam o seu futuro comum com base na verdade e no respeito mútuo. “Lembrai-vos, todos vós, sem exceção, (...) na Polónia, (...) na Ucrânia e entre os nossos amigos na Europa: só podemos construir o futuro sobre a verdade, o respeito mútuo e a compreensão da História”, afirmou Tusk.A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, escolhida para encabeçar a delegação de Kiev em substituição de Zelensky, elogiou o desejo do povo polaco de “construir um futuro comum”.O tema também não passou em branco no discurso do chanceler alemão, fazendo um paralelismo com a reconciliação da Alemanha com a Polónia no pós-guerra. Friedrich Merz referiu ainda que este é um momento de esperança, uma vez que “a Ucrânia está numa nova posição de força”. “A Rússia não vai ganhar esta guerra. O apoio da Europa a Kiev é inabalável. Estamos determinados a aumentar a pressão sobre a economia russa, que já está sob forte tensão”, prosseguiu o alemão, dizendo ainda que após a Cimeira do G7 há também um novo sentimento de unidade transatlântica em torno de Kiev. Algo que a Rússia já deixou claro não gostar. A provar isso mesmo, o presidente dos EUA defendeu na quarta-feira à noite que o seu homólogo ucraniano está “a sair-se muito bem” na guerra contra a Rússia, tendo Donald Trump dito ainda que Zelensky é “corajoso”. Já esta quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano esclareceu que não houve acordos sobre a Ucrânia no encontro entre Trump e Vladimir Putin no Alasca, em agosto, contrariando o que foi dito por Moscovo nos últimos dias. “Não houve acordo no Alasca, houve uma proposta feita no Alasca. Nunca foi um acordo”, afirmou Marco Rubio..Rússia mostra frustração com a atual posição dos Estados Unidos em relação à Ucrânia .G7 e a Ucrânia: mais guerra ou investir na diplomacia?