O Presidente norte-americano Donald Trump deu oficialmente início, na quarta-feira, 24 de junho, à noite, às celebrações do 250.º aniversário dos Estados Unidos com um comício, sobrevoos de bombardeiros, e música de bandas militares.Num discurso, com menos de meia hora, o líder norte-americano declarou que, até há pouco tempo, os Estados Unidos eram "um país morto", mas sublinhou que, desde que ele tomou posse, os EUA "estão de volta" e são "o país mais badalado do mundo"."Somos respeitados por todos. Agora, ninguém se ri de nós", sublinhou o líder. "Nunca houve nada como os Estados Unidos da América, e juntos estamos a torná-los maiores, melhores, mais fortes e muito mais excecionais do que nunca", continuou..O chefe de Estado voltou a destacar o endurecimento na fronteira com o México e a oposição aos direitos das pessoas transgénero, mas foi menos crítico dos democratas do que habitualmente."O sonho norte-americano voltou a estar vivo", disse, numa referência ao que classificou como "quatro anos de incompetência" anteriores ao seu regresso à Casa Branca.Entre as vitórias listadas, Trump destacou ainda a aprovação da sua lei "grande e bela", que reformou o sistema fiscal dos EUA, entre outras medidas."Na Revolução Americana, havia um ditado que dizia 'não ao imposto sobre o chá'. Mas com a Grande e Maravilhosa Lei, fizemos ainda melhor", acrescentou.Trump aproveitou para proclamar "o início da idade dourada da América" e congratulou-se pela captura, em janeiro, do Presidente Nicolás Maduro, na Venezuela, sem mencionar os sismos que atingiram o país na quarta-feira à noite.No fim do discurso, o Presidente dos EUA prometeu regressar ao palco no dia 4 de julho, o dia da independência do país, apelando: "O vosso presidente favorito vai falar, por favor apareçam".O comício insere-se nas comemorações da fundação em1776, organizadas como "A Grande Feira Popular Norte-Americana".A presença de Trump foi anunciada depois de vários músicos cancelarem atuações por receio de politização do evento. Entre os que discursaram esteve o secretário dos Transportes, Sean Duffy, que classificou Trump como "o maior presidente desde George Washington" (1789-1797).Alexis Wilkins, namorada do diretor do FBI, Kash Patel, cantou o hino nacional e negou, na rede social X, quaisquer acusações de nepotismo.. O público, limitado a uma secção do Passeio Nacional de Washington D.C., foi animado com bandeiras de cartão distribuídas pelos organizadores e comida típica de feira, entre hambúrgueres e pernas de peru, com muitos dos presentes a usar chapéus "Make America Great Again".Junto ao local das cerimónias, está a piscina refletora cuja remodelação tem estado no centro da polémica, tendo já custado mais de 12 milhões de dólares para limpar e pintar o fundo da "azul da bandeira norte-americana"..Trump culpa vandalismo pelos estragos no lago do Lincoln Memorial e anuncia detenções. Os gastos com as obras têm sido alvo de criticas vindas do Partido Democrata, especialmente após a água ter sofrido um florescimento rápido de algas e o fundo azul estar a descolar do fundo da piscina. Trump defendeu e celebrou a obra no seu discurso e alegou que a tinta foi descolada por "bandidos". .Estas celebrações decorrem num contexto político delicado, com as eleições intercalares de novembro no horizonte. Trump procura convencer os norte-americanos de que deixou para trás a guerra com o Irão, com a reabertura do estreito de Ormuz e a descida dos preços do petróleo.Apesar disso, enfrenta uma taxa de aprovação baixa, de 37%, segundo sondagem da AP-NORC.A inflação continua elevada e acima do crescimento salarial, mantendo os juros altos. Investimentos em inteligência artificial impulsionam a economia, mas levantam receios de perda de empregos na classe média.Ainda assim, para muitos, Trump foi a principal atração, com famílias a viajar centenas de quilómetros para assistir ao comício e celebrar o 250.º aniversário do país."É uma oportunidade única na vida", disse Jacob Wankasky, de Buffalo, Nova Iorque, que interrompeu as férias para ver o Presidente.*com Lusa