Trump prevê que guerra acabe "imediatamente após as eleições" intercalares nos EUA
O Presidente norte-americano, Donald Trump, previu esta quarta-feira, 9 de setembro, que a guerra com o Irão "terminará imediatamente após as eleições" intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.
Os iranianos "não vão aguentar muito mais”, disse o líder norte-americano aos jornalistas na pista da Base Aérea de Andrews, perto de Washington, acrescentando que “estão a tentar desesperadamente influenciar as eleições".
Do mesmo modo, Trump anteviu que o preço da gasolina, que atualmente ultrapassa os quatro dólares (3,43 euros) por galão (3,8 litros), vai descer consideravelmente, podendo baixar para menos de dois dólares.
Mais de seis meses após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, o conflito continua sem saída à vista, enquanto a subida dos preços dos combustíveis e da inflação nos Estados Unidos ameaça o desempenho do Partido Republicano nas eleições intercalares, nas quais o Congresso será renovado.
Antes de embarcar para a convenção pré-eleitoral republicana em Dallas, no estado do Texas, Donald Trump sugeriu que a liderança iraniana pretende influenciar a composição do Congresso de modo a obter uma arma nuclear, o que deixaria o mundo "em sérios apuros".
O líder da Casa Branca indicou que uma nova ronda de negociações com Teerão para chegar a um acordo nuclear é possível, embora tenha ressalvado que não é isso que procura neste momento.
No início da guerra, lançada em 28 de fevereiro, o Presidente norte-americano esperava que durasse apenas algumas semanas e, nos últimos seis meses, vaticinou em várias ocasiões um fim iminente.
Como causa da guerra, que entretanto se alastrou a vários países do Médio Oriente, verificou-se uma redução drástica do fluxo de petróleo do Golfo através do estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes de Teerão colocar a passagem marítima sob ameaça militar, fazendo disparar os preços internacionais.
Na semana passada, Trump desvalorizou o conflito, considerando-o "uma coisa pequena" para os Estados Unidos, apesar de vários políticos do seu partido manifestarem preocupação com o seu impacto nas próximas eleições.
Na mesma altura, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, evitou estabelecer um prazo para o fim da guerra, remetendo a questão para as autoridades de Teerão e a ameaça colocada à navegação comercial em Ormuz: “Quando é que os iranianos vão parar de disparar sobre navios?”, afirmou, ao ser questionado pelos jornalistas se o conflito estaria terminado até às intercalares.
Sobre a decisão de alguns candidatos ou legisladores republicanos de não comparecerem na convenção pré-eleitoral do partido em Dallas, Trump afirmou hoje que não há "espaço suficiente” para meio milhar de políticos.
“Temos espaço para aqueles que estão numa disputa renhida, quer estejam um pouco atrás, um pouco à frente ou empatados. Mas não temos espaço para pessoas que têm uma vantagem de 35 pontos e não precisam de ir”, justificou.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.
Com as negociações indiretas entre Washington e Teerão paradas, os Estados Unidos retomaram em 30 de agosto os bombardeamentos contra a República Islâmica, após cerca de um mês de acalmia nos confrontos, que por sua vez respondeu visando alegados alvos norte-americanos nos países vizinhos da região do Golfo.
O reatamento das hostilidades surge logo após de Trump ter incumbido o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, de preparar uma ofensiva económica contra o Irão através de novas sanções, depois de a força militar não ter levado a cedências do regime de Teerão.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.

