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Donald TrumpEPA/AARON SCHWARTZ / POOL

Trump pondera "tomada de controlo pacífica" de Cuba

"Não têm dinheiro, não têm nada neste momento, mas estão a dialogar connosco e talvez venhamos a assistir a uma tomada de controlo pacífica de Cuba", disse o presidente dos Estados Unidos.
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O Presidente norte-americano afirmou esta sexta-feira, 27 de fevereiro, que está a considerar uma "tomada de controlo pacífica" de Cuba, sem especificar detalhes, num momento em que Washington aplica um embargo de petróleo à ilha.

"O Governo cubano está a dialogar connosco e, como sabem, enfrenta problemas muito graves. Não têm dinheiro, não têm nada neste momento, mas estão a dialogar connosco e talvez venhamos a assistir a uma tomada de controlo pacífica de Cuba", disse Donald Trump à imprensa ao sair da Casa Branca para uma viagem ao estado do Texas.

"Desde pequeno que ouço falar de Cuba. Todos queriam uma mudança, e posso ver que isso está a acontecer", disse Trump, acrescentando que o secretário de Estado, Marco Rubio, "está a tratar disso".

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“Cuba tem outra estrutura, tem outra tradição. Não ficará um Estado falhado como o Haiti”

As declarações do Presidente republicano ocorrem num contexto de fortes tensões entre Washington e Havana devido ao bloqueio de petróleo à ilha, e poucos dias após a operação realizada por Cuba esta semana contra uma lancha proveniente da Florida que supostamente violou as suas águas e contra a qual as autoridades abriram fogo, causando a morte de quatro tripulantes.

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“Cuba sempre precisou de aliados externos para sobreviver. Hoje não tem mais nenhum"

Cuba afirmou quinta-feira que solicitou aos Estados Unidos que contribuam para o esclarecimento do incidente nas suas águas territoriais e disse que as autoridades norte-americanas "demonstraram disposição para cooperar".

A incursão de uma lancha rápida na quarta-feira com dez pessoas armadas a bordo, foi descrita por Havana como "uma tentativa de infiltração com fins terroristas".

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, acrescentou numa declaração que, para esclarecer os factos "com todo o rigor", o Governo cubano "está disposto a trocar informações com o Governo norte-americano" e que solicitou informações sobre os dez tripulantes.

Em janeiro, após a captura pelos Estados Unidos do ex-Presidente Nicolás Maduro, aliado de Havana, Cuba perdeu o acesso ao petróleo venezuelano e Trump ordenou a imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha, agravando a pior crise económica e social que o país vive desde 1959.

No entanto, na quarta-feira, o Governo dos Estados Unidos relaxou o bloqueio petrolífero imposto a Cuba e autorizou a reexportação de petróleo venezuelano para a ilha, com certas restrições e através do setor privado.

O Gabinete de Direitos Humanos da ONU assinalou há alguns dias que o bloqueio dos Estados Unidos viola a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, além de provocar o desmantelamento do sistema alimentar, sanitário e de abastecimento de água na ilha.

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