O Presidente norte-americano, Donald Trump.
O Presidente norte-americano, Donald Trump.EPA/SAMUEL CORUM / POOL

Trump nega escassez de mísseis e ameaça com prisão para quem divulgar informações sobre arsenais dos EUA

A Casa Branca e o Pentágono negaram també notícias sobre alegadas divergências internas entre Trump e o secretário da Defesa, Pete Hegseth
Publicado a
Atualizado a

Donald Trump não gostou das notícias que dão conta de uma redução significativa das reservas norte-americanas de munições de longo alcance na sequência da guerra com o Irão. O presidente norte-americano garante que os Estados Unidos dispõem de "quantidades massivas" de armamento e ameaça com “longas penas de prisão” os responsáveis pela divulgação de informações consideradas confidenciais.

Numa publicação na rede social Truth Social, o líder norte-americano assegurou que o país mantém "quantidades massivas de munições, especialmente de certos tipos", acrescentando que "grandes quantidades estão a ser produzidas e enviadas para os Estados Unidos conforme necessário". Trump afirmou ainda que as empresas do setor da defesa estão a construir "o maior número de fábricas da história do país" e deixou uma ameaça dirigida às fontes das notícias. "Os autores destas fugas de informação traiçoeiras estão a ser identificados. Serão pedidas longas penas de prisão", escreveu.

As declarações surgem depois de vários órgãos de comunicação social norte-americanos noticiarem que o esforço militar contra o Irão terá consumido grande parte das reservas de mísseis de precisão de longo alcance dos EUA. A CBS News, citando duas fontes com conhecimento direto da situação, avançou que Washington utilizou praticamente toda a sua reserva de mísseis Army Tactical Missile Systems (ATACMS) e Precision Strike Missile (PrSM) durante o conflito, uma informação que também já tinha sido avançada pela agência Reuters.

Segundo a CBS, a administração norte-americana enfrenta também pressões devido à diminuição das reservas de intercetores dos sistemas Patriot e THAAD, cuja reposição está a ocorrer a um ritmo inferior ao consumo registado durante a guerra. Um estudo do Center for Strategic and International Studies (CSIS) estima que os inventários destes sistemas só poderão regressar aos níveis anteriores ao conflito a partir de meados de 2029.

A Casa Branca e o Pentágono negaram também, entretanto, notícias sobre alegadas divergências internas. O Washington Post noticiou que Trump terá confrontado o secretário da Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião do Governo em Camp David, exigindo explicações sobre a escassez de munições. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a notícia como "fake news", garantindo que o episódio "nunca aconteceu". Também o porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, considerou "fictícios" os relatos sobre uma discussão entre Trump e Hegseth.

O Presidente norte-americano, Donald Trump.
Trump afirma que Irão tem “última oportunidade” para chegar a acordo
O Presidente norte-americano, Donald Trump.
Incerteza total a três meses das eleições em que Trump arrisca perder a maioria no Congresso
Diário de Notícias
www.dn.pt