Donald Trump na cimeira do G7 em França.
Donald Trump na cimeira do G7 em França.FOTO: EPA/THIBAULT CAMUS / POOL MAXPPP OUT

Trump garante que Irão não vai comprar ou desenvolver armas nucleares. "Se o fizerem, o inferno cairá em cima deles"

À margem da cimeira do G7 na cidade de Évian, em França, o presidente dos EUA considerou “justo" o acordo alcançado com os iranianos.
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou esta terça-feira, 16 de junho, que o acordo preliminar alcançado com o Irão não envolve investimentos ou pagamentos a Teerão e reforça o compromisso dos iranianos de não desenvolver ou adquirir armas nucleares.

Donald Trump declarou - ao lado do emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, à margem da cimeira do G7 na cidade de Évian, em França - que o acordo alcançado com o Irão “deverá ser bem-sucedido”.

Donald Trump na cimeira do G7 em França.
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O chefe de Estado norte-americano sublinhou que, após a assinatura agendada para sexta-feira, terá início uma segunda etapa que “será, na verdade, mais fácil”, referindo-se às negociações sobre o programa nuclear iraniano.

“Temos um acordo justo. É um bom acordo”, afirmou Trump, referindo que não envolve investimentos ou pagamentos ao Irão.

"Temos o direito de entrar um dia e fazer algo, se eu quiser ou se alguém quiser. Mas não estamos a investir dinheiro. Não temos obrigação de investir dinheiro no Irão", argumentou.

Neste sentido, o líder norte-americano voltou a criticar o acordo assinado com Teerão durante o Governo de Barack Obama. "Não o pagámos como Obama pagou. Pagou milhares de milhões de dólares. Foi uma loucura", acrescentou.

"O que merece atenção, a única coisa que realmente me importa, é que o Irão nunca terá uma arma nuclear", enfatizou o chefe da Casa Branca, insistindo que isso está refletido no acordo "de forma clara e inequívoca".

"Não vão desenvolver, não vão comprar e não vão fazer nada relacionado com isso. E se o fizerem, as consequências serão incríveis", explicou o presidente dos EUA, revelando que um dos pontos de discórdia antes da finalização do acordo era que este deveria incluir não só a proibição do desenvolvimento de armas nucleares, mas também a da sua compra.

Segundo Trump, isso "levou mais alguns dias de negociações (…)". "Finalmente concordamos que não vão desenvolver, não vão adquirir, não vão comprar e não farão nada para obter uma arma nuclear. E se o fizerem, o inferno irá cair em cima deles", alertou.

Em relação aos objetivos iniciais da ofensiva dos EUA contra o Irão, que a princípio se centrava na mudança de regime na República Islâmica, o Presidente norte-americano sublinhou que este não é o foco atual, embora tenha afirmado que tal "de facto" ocorreu após as mortes da liderança política e militar em ataques aéreos dos EUA e de Israel.

“Nunca me importei com mudanças de regime, nunca participei nisso. Mas suponho que se pode dizer que houve uma mudança de regime porque o primeiro grupo morreu, o segundo grupo também morreu e parte do terceiro grupo desapareceu”, disse sobre os líderes iranianos, sublinhando que Washington está agora a lidar “com pessoas muito racionais”.

“Foi um prazer negociar com eles”, disse sobre os interlocutores iranianos, que descreveu como “pessoas fortes e inteligentes”.

“Na verdade, acho que são mais inteligentes do que o primeiro e o segundo grupo. Mas não são radicalizados e querem ajudar o seu país”, afirmou ainda Trump.

O acordo preliminar prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras negociações sobre o acordo nuclear.

Os compromissos garantem a reabertura do estreito de Ormuz e um levantamento progressivo das sanções sobre Teerão.

Israel ocupa grandes áreas do sul do Líbano, em resposta a ataques do grupo radical pró-iraniano Hezbollah, e continua a bombardear o país vizinho apesar do anúncio do acordo mediado pelo Paquistão.

Desde o início das hostilidades entre Israel e o movimento xiita libanês, como parte da guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irão, cerca de 3.800 pessoas foram mortas só no Líbano por ataques israelitas, que também forçaram mais de um milhão de pessoas a fugir das suas casas.

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