Um pouco por toda a Europa a comunidade iraniana tem protestado contra o governo de Teerão.
Um pouco por toda a Europa a comunidade iraniana tem protestado contra o governo de Teerão.FOTO: EPA/Matias Basualdo

Trump diz que o Irão está "de olho na liberdade" e anuncia que os EUA estão "prontos para ajudar"

Presidente dos EUA dá a entender que as forças norte-americanas podem atuar na sequência das manifestações que fizeram pelo menos 65 mortos. Senador republicano garante que "a ajuda está a caminho".
Publicado a
Atualizado a

Donald Trump anunciou este sábado, 10 de janeiro, que os Estados Unidos estão prontos para ajudar o povo iraniano a libertar-se do regime do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do Irão.

"O Irão está de olho na liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!”, escreveu o presidente dos EUA numa curta publicação na rede social Truth Social, isto depois de na véspera ter dito, na Casa Branca, que atacaria Teerão "com muita força" se o governo "começasse a matar pessoas".

Desta forma, o presidente norte-americano deixa bem clara a disponibilidade para a eventualidade de atacar Teerão, que tem sido palco de várias manifestações desde o dia 28 de dezembro, que cresceram de tom na quinta-feira à noite, quando milhares de pessoas saíram às ruas, um pouco por todo o país, respondendo a um apelo do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, que, no exílio, no sentido de se manifestarem nessa noite, que fez com que o governo iraniano cortasse a internet e as linhas telefónicas.

A mensagem de Trump surge em jeito de apoio às constantes manifestações que começaram devido ao aumento do custo de vida, que é o mais elevado desde os protestos após a morte de Mahsa Amini, que em 2022 foi presa por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado. Incialmente os protestos cingiram-se ao Grande Bazar de Teerão, tendo depois alastrado às outras cidades do Irão.

De acordo com os últimos dados disponíveis da agência dos direitos humanos no Irão, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2300 foram detidas pelas autoridades na sequência das diversas manifestações que já se alastraram a mais de 100 cidades iranianas.

A pressão norte-americana sobre o Irão subiu de tom, precisamente, na sexta-feira quando Trump disse que aquele país se encontra "em grandes apuros" devido ao aumento dos distúrbios, deixando a certeza que está atento aos acontecimentos, ao mesmo tempo que avisava autoridades locais a não usarem o uso da força letal contra os manifestantes.

Em resposta, o Irão acusou EUA e Israel de serem os instigadores das manifestações, tendo ainda avisado que quem fosse apanhado nos protestos iria enfrentar as forças de segurança e o poder judiciário que, dizia o governo de Teerão, "não demonstrarão qualquer tolerância".

Depois disso, já este sábado, o procurador-geral iraniano Mohammad Movahedi Azad anunciou que qualquer pessoa que participe em protestos será considerada “inimiga de Deus”, uma acusação punível com pena de morte.

A declaração do procurador-geral foi feita através da televisão estatal do Irão, sendo assim encarada como o concretizar da ameaça de sexta-feira, o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, de que o país “ia iniciar” uma repressão.

Senador republicano: "A ajuda está a caminho"

Algumas horas depois da declaração de Donald Trump na rede social Truth Social, o senador republicano Lindsey Graham publicou no X uma mensagem que corroborava a intenção de Trump em intervir no Irão

"Ao povo iraniano: o longo pesadelo está a chegar ao fim. A coragem e determinação em acabar com a opressão foram notadas por Trump e por todos que amam a liberdade", escreveu, lembrando que quando o presidente dos EUA diz "voltar a fazer o Irão grande, significa que os manifestantes devem prevalecer sobre o ayatollah".

Lindsey Graham diz ainda que Trump "entende" que o Irão "nunca será um grande país com o ayatollah e os seus capangas no comando". "Que Deus abençoe todos os que se estão a sacrificar no Irão. A ajuda está a caminho", finalizou Graham.

Roberta Metsola garante que as vozes dos iranianos são ouvidas e "vão mudar a história"

Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, elogiou os "corajosos" manifestantes iranianos, garantindo que as suas vozes estavam a ser ouvidas e "vão mudar a história". 

Nesse sentido, assumiu que enfrentar a ira do regime de Teerão "exige mais do que apenas palavras" e que a Europa deve agir "designando a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista e ampliando urgentemente as sanções da UE a todos os indivíduos que apoiam o regime através da repressão, da violência e das mortes".

Um pouco por toda a Europa a comunidade iraniana tem protestado contra o governo de Teerão.
Irão intensifica repressão e desliga-se do mundo
Um pouco por toda a Europa a comunidade iraniana tem protestado contra o governo de Teerão.
Procurador do Irão avisa que protestos passam a ser puníveis com pena de morte
Um pouco por toda a Europa a comunidade iraniana tem protestado contra o governo de Teerão.
Apelo do príncipe herdeiro leva milhares às ruas no Irão. Internet e telecomunicações cortadas (com vídeos)

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt