Donald Trump anunciou este sábado, 10 de janeiro, que os Estados Unidos estão prontos para ajudar o povo iraniano a libertar-se do regime do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do Irão."O Irão está de olho na liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!”, escreveu o presidente dos EUA numa curta publicação na rede social Truth Social, isto depois de na véspera ter dito, na Casa Branca, que atacaria Teerão "com muita força" se o governo "começasse a matar pessoas"..Desta forma, o presidente norte-americano deixa bem clara a disponibilidade para a eventualidade de atacar Teerão, que tem sido palco de várias manifestações desde o dia 28 de dezembro, que cresceram de tom na quinta-feira à noite, quando milhares de pessoas saíram às ruas, um pouco por todo o país, respondendo a um apelo do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, que, no exílio, no sentido de se manifestarem nessa noite, que fez com que o governo iraniano cortasse a internet e as linhas telefónicas.A mensagem de Trump surge em jeito de apoio às constantes manifestações que começaram devido ao aumento do custo de vida, que é o mais elevado desde os protestos após a morte de Mahsa Amini, que em 2022 foi presa por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado. Incialmente os protestos cingiram-se ao Grande Bazar de Teerão, tendo depois alastrado às outras cidades do Irão.De acordo com os últimos dados disponíveis da agência dos direitos humanos no Irão, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2300 foram detidas pelas autoridades na sequência das diversas manifestações que já se alastraram a mais de 100 cidades iranianas.A pressão norte-americana sobre o Irão subiu de tom, precisamente, na sexta-feira quando Trump disse que aquele país se encontra "em grandes apuros" devido ao aumento dos distúrbios, deixando a certeza que está atento aos acontecimentos, ao mesmo tempo que avisava autoridades locais a não usarem o uso da força letal contra os manifestantes.Em resposta, o Irão acusou EUA e Israel de serem os instigadores das manifestações, tendo ainda avisado que quem fosse apanhado nos protestos iria enfrentar as forças de segurança e o poder judiciário que, dizia o governo de Teerão, "não demonstrarão qualquer tolerância".Depois disso, já este sábado, o procurador-geral iraniano Mohammad Movahedi Azad anunciou que qualquer pessoa que participe em protestos será considerada “inimiga de Deus”, uma acusação punível com pena de morte.A declaração do procurador-geral foi feita através da televisão estatal do Irão, sendo assim encarada como o concretizar da ameaça de sexta-feira, o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, de que o país “ia iniciar” uma repressão.Senador republicano: "A ajuda está a caminho"Algumas horas depois da declaração de Donald Trump na rede social Truth Social, o senador republicano Lindsey Graham publicou no X uma mensagem que corroborava a intenção de Trump em intervir no Irão "Ao povo iraniano: o longo pesadelo está a chegar ao fim. A coragem e determinação em acabar com a opressão foram notadas por Trump e por todos que amam a liberdade", escreveu, lembrando que quando o presidente dos EUA diz "voltar a fazer o Irão grande, significa que os manifestantes devem prevalecer sobre o ayatollah".Lindsey Graham diz ainda que Trump "entende" que o Irão "nunca será um grande país com o ayatollah e os seus capangas no comando". "Que Deus abençoe todos os que se estão a sacrificar no Irão. A ajuda está a caminho", finalizou Graham..Roberta Metsola garante que as vozes dos iranianos são ouvidas e "vão mudar a história"Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, elogiou os "corajosos" manifestantes iranianos, garantindo que as suas vozes estavam a ser ouvidas e "vão mudar a história". Nesse sentido, assumiu que enfrentar a ira do regime de Teerão "exige mais do que apenas palavras" e que a Europa deve agir "designando a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista e ampliando urgentemente as sanções da UE a todos os indivíduos que apoiam o regime através da repressão, da violência e das mortes"..Irão intensifica repressão e desliga-se do mundo .Procurador do Irão avisa que protestos passam a ser puníveis com pena de morte.Apelo do príncipe herdeiro leva milhares às ruas no Irão. Internet e telecomunicações cortadas (com vídeos)