No 12.º dia de um movimento de protesto contra o regime iraniano, uma grande multidão de manifestantes concentrou-se esta quinta-feira, 8 de janeiro, em Teerão e o país registou um corte geral da Internet, segundo uma organização não-governamental (ONG).Moradores da capital do Irão gritaram das suas janelas e reuniram-se nas ruas após um apelo do príncipe herdeiro, que se encontra no exilio, para que se manifestassem em massa, de acordo com o site da Euronews.De acordo com alguns vídeos publicados nas redes sociais podem-se ver mesmo alguns focos de incêndio nas ruas de Teerão enquanto decorrem os protestos.O acesso à internet e às linhas telefónicas foram interrompidos em todo o país, assim que se iniciaram dos protestos. A empresa de internet CloudFlare e a ONG de monitorização de cibersegurança NetBlocks relataram esse corte, atribuindo-o à interferência do governo iraniano."Este incidente surge na sequência de uma série de medidas de censura digital cada vez mais rigorosas contra manifestações em todo o país e prejudica o direito do público à comunicação num momento crítico", sublinhou a Netblocks na rede social X..Trata-se de uma nova escalada no movimento de protesto, inicialmente contra a economia debilitada do Irão, que se espalhou por toda a República Islâmica.Este protesto representa o primeiro teste para saber se o público iraniano poderá ser influenciado pelo príncipe herdeiro Reza Pahlavi, cujo pai, fatalmente doente, fugiu do Irã pouco antes da Revolução Islâmica de 1979.Pahlavi convocou as manifestações para as 20h00, hora local, para esta quinta e sexta-feira. E a verdade é que, pelos bairros de Teerão, irromperam em cânticos contra o regime. "Morte ao ditador!" e "Morte à República Islâmica!" eram algumas das palavras de ordem. Outros elogiavam o xá: "Esta é a última batalha! Pahlavi voltará!". "Grande nação do Irão, os olhos do mundo estão voltados para vocês. Tomem as ruas e, como uma frente unida, gritem suas reivindicações", disse Pahlavi em comunicado, acrescentando: "Aviso a República Islâmica, o seu líder e a Guarda Revolucionária que o mundo e o presidente Donald Trump estão de olho em vocês. A repressão do povo não ficará impune."Desde o início do movimento, que começou em 28 de dezembro em Teerão, têm ocorrido protestos em pelo menos 50 cidades, afetando 25 das 31 províncias do Irão, segundo uma contagem da AFP baseada em anúncios oficiais e notícias da imprensa.Estes protestos, inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida, são os mais elevados no Irão desde os que eclodiram após a morte de Mahsa Amini em 2022, que foi presa por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado.Pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram mortos no total, segundo um novo balanço divulgado hoje pela ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega."A repressão está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", realçou o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 2.000 foram detidas..Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, reportaram pelo menos 21 mortes desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da AFP.Neste contexto cada vez mais tenso, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian voltou a pedir "máxima moderação" perante os manifestantes, bem como diálogo e "escuta das reivindicações do povo".As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo em vários locais para reprimir as manifestações, bem como munições reais.Em Abadan (oeste do Irão), segundo a IHR, uma mulher foi baleada diretamente no olho durante uma manifestação na noite de quarta-feira.Um polícia iraniano foi também esfaqueado enquanto "participava nas ações para controlar distúrbios" perto de Teerão e morreu algumas horas depois, adiantou hoje a agência de notícias iraniana Fars.Desde Washington, Donald Trump voltou a ameaçar "atacar o Irão com demasiada força" caso as autoridades "comecem a matar" manifestantes.Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, denunciou o "uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos" por parte do regime iraniano e apelou a Teerão para "respeitar as suas obrigações internacionais" nesta matéria.De acordo com a Amnistia Internacional, "as forças de segurança iranianas feriram e mataram" manifestantes e civis.*Com Lusa.Trump ameaça atacar Irão para "socorrer" manifestantes. Teerão já respondeu.Irão envia carta ao líder da ONU em protesto contra ingerência de Donald Trump