Comerciantes de Teerão fecharam as suas lojas na segunda-feira e manifestaram-se contra a crise económica nas ruas da capital.
Comerciantes de Teerão fecharam as suas lojas na segunda-feira e manifestaram-se contra a crise económica nas ruas da capital.EPA / STRINGER

Trump ameaça atacar Irão para "socorrer" manifestantes. Teerão já respondeu

Pelo menos sete pessoas já morreram nos protestos contra o elevado custo de vida, os mais graves nos últimos anos.
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O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou esta sexta-feira (2 de janeiro) atacar novamente o Irão, caso continue a repressão dos protestos contra o elevado custo de vida no país. Teerão já respondeu, avisando-o que uma "intervenção" norte-americana "desestabilizaria toda a região e destruiria os interesses da América".

Pelo menos sete pessoas já morreram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas províncias rurais, no quinto dia de protestos - os mais graves dos últimos anos no Irão. E as autoridades locais já indicaram que qualquer distúrbio ou reunião ilegal seria combatido "de forma decisiva e sem clemência", aumentando a probabilidade de uma escalada do conflito.

"Se o Irão disparar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos da América irão em seu socorro. Estamos prontos para entrar em ação. Obrigado pela atenção!, escreveu na Truth Social.

Os EUA bombardearam várias instalações nucleares iranianas em junho, juntando-se aos ataques israelitas que visavam não só o programa nuclear como a liderança militar do Irão.

Um dos principais conselheiros do líder iraniano, Ali Larijani, já respondeu a Trump, assim como a vários responsáveis israelitas que já expressaram o seu apoio aos protestos.

"Com as declarações das autoridades israelitas e de Trump, o que estava a acontecer nos bastidores é agora claro. Distinguimos entre a posição dos lojistas que protestam e as ações dos agentes disruptivos, e Trump deveria saber que a interferência dos EUA nesta questão interna significaria desestabilizar toda a região e destruir os interesses americanos", escreveu no X.

"O povo americano deveria saber -- Trump iniciou este aventureirismo. Deveriam estar atentos à segurança dos seus soldados", acrescentou.

"Qualquer intervenção que atinja a segurança do Irão sob qualquer pretexto enfrentará retaliações", declarou Ali Shamkhani, outro conselheiro do ayatollah Ali Khamenei, na mesma plataforma de redes sociais. "A segurança do Irão é uma linha vermelha".

As manifestações começaram no domingo em Teerão, onde os comerciantes fecharam os seus negócios em protesto contra a hiperinflação, a desvalorização da moeda e a estagnação económica e, de seguida, espalhou-se para as universidades e para o resto do país.

Estes protestos, contudo, não são ainda comparáveis ao movimento que abalou o Irão no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem iraniana presa por alegadamente usar um véu islâmico de forma incorreta.

"Numa perspetiva islâmica, se não resolvermos o problema do sustento das pessoas, acabaremos no inferno", defendeu o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian.

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