As autoridades do Irão estão a intensificar a repressão aos manifestantes, depois de terem desligado as ligações à internet e impedido os telefonemas internacionais. O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, declarou este sábado, 10 de janeiro, que qualquer pessoa que participar dos protestos será considerada "inimiga de Deus", acusação passível de pena de morte, avança a agência noticiosa Associated Press. Mohammad Movahedi Azad, que falou à televisão estatal iraniana, afirmou que aqueles que "ajudarem os manifestantes" enfrentarão a mesma acusação.Disse ainda que “os procuradores devem, com cuidado e sem demora, ao emitir as acusações, preparar as bases para o julgamento e o confronto decisivo com aqueles que, ao traírem a nação e criarem insegurança, procuram a dominação estrangeira do país”. Movahedi Azad afirmou que “os processos devem ser conduzidos sem clemência, compaixão ou indulgência.”Foi a 28 de dezembro, há quase duas semanas que se iniciaram os protestos no Irão, desencadeados pelo agravamento da crise económica do país, após o colapso da moeda iraniana. Segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, contam pelo menos 65 mortos e mais de 2300 detidos.Os protestos, que se têm feito sentir um pouco por todo o país, deverão continuar neste fim de semana. No entanto, a televisão estatal iraniana tem divulgado informações de acalmia.“Relatórios de campo indicam que a paz prevaleceu na maioria das cidades do país durante a noite”, disse um apresentador da TV estatal. “Após vários terroristas armados atacarem locais públicos e incendiarem propriedades privadas na noite passada, não houve notícias de qualquer aglomeração ou caos em Teerão e na maioria das províncias.”Afirmações refutadas pela Associated Press. Um vídeo online verificado pela agência noticiosa, na área de Saadat Abad, no norte de Teerão, divulgou imagens do que pareciam ser milhares de pessoas nas ruas.A agência de notícias semioficial Fars, considerada próxima à Guarda Revolucionária paramilitar do Irão, e um dos poucos meios de comunicação social com capacidade para publicar no exterior, divulgou imagens de câmaras de vigilância que mostram manifestações em Isfahan.Já a agência de notícias semioficial Tasnim, também próxima da Guarda Revolucionária, noticiou que as autoridades detiveram quase 200 pessoas pertencentes ao que descreveu como "equipas terroristas operacionais". Disse que os detidos eram portadores de armas de fogo, granadas e coquetéis molotov.O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já veio oferecer apoio aos manifestantes.“Os Estados Unidos apoiam o corajoso povo do Irão”, escreveu Rubio na plataforma social X. Noutra publicação, o Departamento de Estado dos EUA, disse: “Não brinquem com o presidente Trump. Quando ele diz que vai fazer algo, ele está a falar a sério”. .ONG eleva para 51 mortos o balanço de 13 dias de manifestações no Irão.Partidos da Gronelândia defendem direito à autodeterminação perante ameaças de Trump