O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou este domingo (12 de abril) que a Marinha norte-americana vai bloquear totalmente o Estreito de Ormuz e travar, em águas internacionais, qualquer navio que tenha pago a “portagem” ao Irão para poder passar. A ameaça surge depois de as negociações com Teerão terem falhado em Islamabad, com Trump a alegar que os iranianos recusaram abdicar das ambições nucleares.“Com efeito imediato, a Marinha dos EUA, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, escreveu o presidente na Truth Social. “Também instruí a nossa Marinha para procurar e intercetar todas os navios em águas internacionais que pagaram portagens ao Irão. Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar”, acrescentou, insistindo que “o Irão não poderá lucrar com este acto ilegal de extorsão”.O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passava 20% do petróleo mundial, causou disrupções globais a nível económico. O preço do crude caiu na sexta-feira (10 de abril), com os investidores optimistas das negociações diretas entre EUA e Irão, mas a expectativa era que voltasse a subir depois de estas terem falhado e diante da nova ameaça de Trump de fechar completamente o estreito. Apesar do bloqueio de Teerão aos navios estrangeiros, os iranianos continuavam a exportar o seu próprio petróleo graças a uma frota fantasma, tendo como principal destino a China. A ameaça de Trump terá como objetivo travar essas exportações, cortando uma importante fonte de financiamento para os iranianos e obrigando os chineses a pressionarem mais Teerão. “A dada altura, chegaremos a um ponto em que ‘TODOS PODEM ENTRAR, TODOS PODEM SAIR’, mas o Irão não permitiu que isso acontecesse simplesmente dizendo: ‘Pode haver uma mina por aí algures’, da qual ninguém sabe, excepto eles. ISTO É EXTORSÃO MUNDIAL, e os líderes dos países, especialmente os EUA, nunca se deixarão extorquir”, indicou Trump na Truth Social, explicando ainda que a sua marinha vai começar a destruir as minas que terão sido colocadas no estreito. “Qualquer iraniano que dispare contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será REDUZIDO A PÓ!”E o cessar-fogo?“A má notícia é que não chegámos a um acordo”, anunciou o vice-presidente norte-americano, JD Vance, após 21 horas de negociações diretas com o Irão em Islamabad. “E penso que isso é uma má notícia para o Irão, muito mais do que para os EUA”, acrescentou, alegando que os norte-americanos deixaram claro quais são as “linhas vermelhas” e em que pontos estavam dispostos a “ceder”. Mas o Irão optou por não aceitar. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação do Irão junto com o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi, culpou os EUA por não terem conquistado a confiança de Teerão. “Os EUA compreenderam a lógica e os princípios do Irão e está na altura de decidirem se podem ou não conquistar a nossa confiança”, escreveu Ghalibaf no X. Segundo Trump, a questão nuclear foi central para a falta de acordo. “A reunião correu bem, a maioria dos pontos foi acordada, mas o único ponto que realmente importava, a energia nuclear, não foi”, escreveu o presidente norte-americano. Segundo Vance, o Irão não deu garantias de que não iria desenvolver uma arma nuclear - algo que Teerão sempre rejeitou querer, enquanto continuava a enriquecer urânico acima do necessário para fins civis. O destino dos 400 quilos de urânio altamente enriquecido também terão sido um dos obstáculos ao diálogo. Mas, segundo os iranianos, o Estreito de Ormuz foi outro dos pontos de discórdia. Os EUA queriam que fosse reaberto imediatamente, mas Teerão só o aceitava fazer após ser alcançada a paz definitiva - não querendo abdicar da vantagem que esta importante via marítima lhes dá -, e insistindo o controlo do estreito é um direito do povo iraniano. Outro ponto de tensão são os ataques de Israel que continuam no Líbano. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, visitou este domingo (12 de abril) as tropas na zona tampão que ocuparam no sul do Líbano dizendo que ainda há muito a fazer e que estão a fazê-lo. A dúvida agora é em que ponto fica o cessar-fogo de duas semanas que foi acordado e que se esgota a 22 de abril. Os mediadores paquistaneses consideram que estamos apenas numa “pausa” na diplomacia e que será possível ambos os lados voltarem a dialogar. “As negociações não estão mortas. Há um impasse”, disse o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, à CBS..Trump ameaça ofensiva final contra o Irão: "Estamos prontos para acabar com o que resta"