Os representantes de Israel e do Líbano voltaram a sentar-se à mesa das negociações, em Washington, depois de a intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, ter travado novos bombardeamentos israelitas em Beirute, mas não as trocas de tiros entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano. A situação ameaçava o diálogo entre Washington e Teerão, sendo que o Irão tinha anunciado a sua suspensão. Mas Trump nega isso, denunciando “fake news”.“As nossas conversas têm sido contínuas, incluindo há quatro dias, três dias, dois dias, um dia e hoje. Onde é que isto vai dar, ninguém sabe, mas como disse ao Irão: ‘Chegou a altura, de uma forma ou de outra, de vocês chegarem a um acordo. Fazem isto há 47 anos e não podemos permitir que continue assim’”, escreveu o presidente norte-americano na Truth Social..Mas Trump também tinha dito, na véspera, que Israel e Hezbollah tinham aceitado suspender os seus ataques e isso não aconteceu. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deixou claro que o seu exército iria “continuar a operar como planeado” no sul do Líbano, apesar de ter cancelado o bombardeamento que estava a planear contra Beirute. Isto depois de um telefonema em que, segundo o site Axios, Trump gritou contra Netanyahu, apelidando-o de “louco” e alegando que se não fosse por ele estaria na prisão (o primeiro-ministro está a ser julgado por corrupção e Trump tem feito pressão para um perdão).."És completamente louco". Trump irritado com Netanyahu em conversa telefónica.Também o Hezbollah disse que não aceitará só um “cessar-fogo parcial” com Israel, recusando parar os ataques contra o norte deste país em troca de os israelitas pouparem os arredores de Beirute. “Não aceitaremos um cessar-fogo parcial”, disse Mahmud Qomati à AFP num comunicado, acrescentando que “o inimigo sionista deve saber que qualquer agressão contra os subúrbios pode levar a uma resposta mais profunda e contundente” do grupo xiita libanês. Rubio confianteO secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enumerou esta terça-feira (2 de junho) os compromissos que o Irão tem que fazer antes de os EUA levantarem o bloqueio aos portos iranianos. A primeira condição imposta por Washington é a reabertura do Estreito de Ormuz. “Reabrir o estreito significa o seguinte: os navios podem navegar em águas internacionais da mesma forma que navegam noutros pontos de estrangulamento em todo o mundo, sem serem alvejados e sem pagar portagens”, disse Rubio, numa audiência da Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado. Rubio explicou ainda que isso não implica o levantamento automático das sanções. “A segunda fase consiste em comprometerem-se com negociações muito específicas sobre o destino do urânio altamente enriquecido que ainda está enterrado algures no fundo de uma montanha”, referiu, acrescentando que “qualquer alívio das sanções está condicionado à concessão do motivo pelo qual estas foram impostas em primeiro lugar, que é o programa nuclear iraniano”.Mas o secretário de Estado mostrou-se confiante. “Pela primeira vez, certamente na minha memória, concordaram em negociar aspetos do seu programa nuclear, que há apenas um mês ou um ano se recusavam sequer a mencionar”, disse, sem avançar mais pormenores.Rubio explicou ainda que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está vivo e que há sinais de que se está a envolver cada vez mais nas negociações. Mojtaba Khamenei não foi ainda visto em público desde que sucedeu ao pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra. O secretário de Estado mostrou-se confiante de que Mojtaba Khamenei ainda está vivo, apesar dos inúmeros relatos de que também teria ficado gravemente ferido no bombardeamento que matou o pai. “Imagino que, tendo em conta o que aconteceu com vários líderes deste regime, expor-se publicamente não seja algo recomendado internamente”, afirmou Rubio, referindo-se aos vários líderes que têm morrido (nomeadamente em bombardeamentos de Israel). “Dito isto, penso que há indícios de que ele se está a envolver cada vez mais a algum nível, embora todas as suas comunicações tenham sido por escrito e através de intermediários.”Entretanto, segundo a Al-Jazeera, que cita a agência iraniana IRIB, o Irão está a planear um funeral público para Ali Khamenei, que vai durar três dias. De acordo com o vice-presidente da câmara de Teerão, o funeral será na capital, em Qom e Mashhad. Amin Tavakolizadeh acrescentou que será realizada uma cerimónia de 24 horas em Teerão, onde as autoridades se preparam para a presença de até 20 milhões de pessoas..Trump pressiona Netanyahu a recuar para salvar diálogo com o Irão