Trmp deu um comício do domingo no Madison Square Garden.
Trmp deu um comício do domingo no Madison Square Garden.EPA/SARAH YENESEL

Trump concentra-se nos ataques a Kamala e ignora polémica racista sobre Porto Rico

Ex-presidente acusou a sua adversária de estar a fazer uma “campanha de ódio absoluto” e os democratas de “tentarem destruir” os Estados Unidos. Perante o silêncio de Trump, a sua equipa distanciou-se de piada de comediante.
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O evento desta terça-feira em Mar-a-Lago era aguardado com expectativa, esperando-se que Donald Trump falasse sobre a polémica em torno de Porto Rico que marcou o seu evento de campanha no Madison Square Garden, em Nova Iorque, no domingo, quando o humorista Tony Hinchcliffe comparou aquele território norte-americano a uma “ilha flutuante de lixo”. O candidato republicano preferiu usar a sua intervenção de mais de hora, e sem direito a perguntas dos jornalistas, para elogiar o evento de Nova Iorque e criticar Kamala Harris e os democratas, tendo feito também mais uma promessa em caso de vitória: a sua administração pretende confiscar bens de gangues criminosos e cartéis de droga e vai usá-los para criar um fundo de compensação para vítimas de crimes cometidos por migrantes.

“O amor naquela sala era de tirar o fôlego, poderíamos ter enchido muitas vezes o espaço com pessoas que não conseguiram entrar”, declarou Trump sobre o seu comício no Madison Square Garden. “Foi como uma festa de amor. Uma festa de amor absoluta”, acrescentou, gozando com os críticos que compararam o comício a um evento nazi realizado em 1939 no mesmo espaço. A campanha de Kamala Harris não demorou a reagir a esta declaração, com a porta-voz Ammar Moussa a publicar no X a seguinte mensagem: “Surreal. Sabem a que mais Trump chama de festa do amor? O 6 de Janeiro”.

Sobre a piada de Hinchcliffe ou discursos polémicos feitos por outros oradores no domingo nem uma palavra de Trump, apesar das muitas críticas de democratas, e até de republicanos, sobre comentários racistas dirigidos a latinos, negros, judeus e palestinianos, bem como insultos sexistas dirigidos a Harris e à antiga secretária de Estado Hillary Clinton.

A piada do comediante Tony Hinchcliffe sobre Porto Rico causou especial ira, dada a importância eleitoral dos porto-riquenhos que vivem na Pensilvânia e noutros estados essenciais para o resultado das presidenciais. E, embora Trump não tenha dito uma palavra sobre o tema, a sua campanha emitiu um comunicado em que garantiu que “esta piada não reflete as opiniões do presidente Trump ou da campanha”.

Uma das maiores críticas ao polémico comentário veio do líder do Partido Republicano em Porto Rico, Ángel Cintrón, que declarou que a “má tentativa de comédia” de Tony Hinchcliffe no domingo foi “vergonhosa, ignorante e totalmente repreensível”. 

“Não há espaço para comentários absurdos e racistas como esse. Eles não representam os valores conservadores do republicanismo em nenhum lugar do nosso país”, prosseguiu Cintrón, lembrando que existem três milhões de cidadãos dos EUA em Porto Rico e quase seis milhões no continente.

O foco da atenção do ex-presidente foi todo para a campanha de Kamala Harris, que horas depois iria participar num comício na Elipse, em Washington, precisamente onde Trump falou a 6 de janeiro de 2021 antes do ataque ao Capitólio. “Ela está a fazer uma campanha de desmoralização e, na verdade, uma campanha de destruição. Mas na verdade, talvez mais do que qualquer outra coisa, é uma campanha de ódio. Uma campanha de ódio absoluto”, disse Trump, acrescentando: “Eu disse que ela é um recipiente. É um partido muito grande e poderoso, com pessoas inteligentes… mas são cruéis e talvez estejam até a tentar destruir o nosso país”. 

Donald Trump falou também de temas como a imigração ilegal e a economia, prometendo que, se for reeleito para a Casa Branca, pretende confiscar bens de gangues criminosos e cartéis de droga e vai usá-los para criar um fundo de compensação para vítimas de crimes cometidos por migrantes. Nesta fase, um ecrã atrás do antigo presidente dizia: “Trump trata disso”. “Esta é uma campanha que tem sido longa e difícil”, declarou no final da sua intervenção. “Estou em campanha há 58 dias e não tirei um dia de folga”.

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