O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este sábado, 21 de fevereiro, que vai aumentar para 15% a nova tarifa global sobre bens importados, depois de na sexta-feira (20) ter indicado que a taxa seria de 10%. A decisão surge na sequência do acórdão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que declarou ilegais as anteriores medidas impostas pela administraçãcp.Numa publicação na sua rede social, Truth Social, Trump confirmou que a nova taxa entra em vigor “com efeitos imediatos” e justificou a alteração após uma “revisão minuciosa” da decisão do tribunal. O chefe de Estado afirmou que irá elevar a “Worldwide Tariff” de 10% para “o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%”.Na mesma mensagem, Trump voltou a atacar o Supremo, classificando o acórdão como “ridículo”, “mal redigido” e “extraordinariamente anti-americano”. A decisão do tribunal, tomada por seis votos contra três, concluiu que o presidente excedeu os seus poderes ao aplicar tarifas sem aprovação do Congresso..As anteriores taxas tinham sido impostas ao abrigo de poderes de emergência, permitindo à Casa Branca aplicar direitos aduaneiros de forma unilateral. O Supremo entendeu, contudo, que a Constituição atribui ao Congresso - e não ao Presidente - a competência para criar impostos e tarifas sobre países estrangeiros.Apesar do revés judicial, Trump garantiu que continuará a avançar com novas medidas comerciais. “Como presidente dos Estados Unidos da América, estarei a aumentar a tarifa mundial”, escreveu, acrescentando que vários países têm estado a “aproveitar-se” dos EUA há décadas.Merz celebra decisão do Supremo dos EUA O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou este sábado que a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que invalidou a maioria das tarifas impostas pelo presidente norte-americano, é uma “boa notícia” e saudou a separação de poderes no país.“Há um elemento tranquilizador na decisão de ontem [sexta-feira] do Supremo Tribunal. A separação de poderes nos EUA parece continuar a funcionar e isso é uma boa notícia", disse Friedrich Merz, à margem do congresso do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), em Estugarda, numa entrevista à televisão pública.O chanceler alemão adiantou que pretende discutir com os aliados europeus uma resposta comum às novas tarifas alfandegárias globais de 15% anunciadas por Trump, na sequência da decisão do tribunal.“Teremos uma posição europeia muito clara sobre este assunto, porque a política aduaneira é da competência da UE e não dos Estados-membros individualmente”, afirmou Merz, que visita Washington para se reunir com Trump, marcada para 2 de março.Merz disse ainda que, durante a viagem a Washington, vai tentar “deixar claro” à administração Trump que as tarifas prejudicam todos. “Elas não beneficiam uns e prejudicam outros. Acima de tudo, prejudicam o país que impõe as tarifas, porque são os consumidores que as pagam”, alertou o chanceler.Também o vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que, apesar da decisão da justiça norte-americana, a incerteza vai se manter a médio prazo.“Apesar da sentença, continuam a existir tarifas específicas em setores centrais como o automóvel e o aço. E Trump já anunciou novas tarifas. Por isso, a incerteza continua a ser grande”, disse o ministro numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.“A nossa resposta vai continuar a ser construir novas relações comerciais a nível global, assinar acordos de comércio livre, proteger a nossa indústria e fortalecer a independência e a soberania da Europa”, disse o político social-democrata.*Com Lusa.Trump impõe tarifas globais de 10% após Supremo ter anulado as anteriores. "Juízes foram antipatriotas", acusa.Supremo Tribunal dos EUA chumba tarifas de Trump considerando-as ilegais