O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou esta quarta-feira, 27 de maio, que ainda não está satisfeito com o resultado das negociações com o Irão e voltou a colocar a hipótese de retomar a ofensiva militar para "terminar o trabalho".“O Irão está muito interessado em fechar um acordo. Ainda não chegámos lá. Não estamos satisfeitos com ele, mas vamos ficar, ou teremos de terminar o trabalho", afirmou durante uma reunião com a sua administração na Casa Branca.Trump afastou a possibilidade de um acordo que permita à República Islâmica exercer qualquer controlo sobre o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que as forças iranianas mantêm sob ameaça militar, levando a que os preços de petróleo tivessem disparado os últimos meses."São águas internacionais, ninguém as vai controlar. Vamos monitorizá-las. Vamos monitorizá-las, mas ninguém as vai controlar", frisou o líder norte-americano.O líder norte-americano acrescentou que não tem pressa em chegar a um entendimento antes das eleições intercalares em novembro, nas quais estará em causa a maioria republicana no Congresso."Não me importo com as eleições intercalares. Vejam o que aconteceu ontem à noite", declarou, referindo-se às primárias republicanas de terça-feira no Texas, nas quais venceu um candidato apoiado pelo dirigente republicano.Os Estados Unidos e o Irão intensificaram os contactos indiretos na última semana, através de mediadores do Paquistão, para chegar a um acordo que ponha fim à guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro.A televisão estatal iraniana divulgou hoje uma minuta de um acordo preliminar que incluiria a reabertura do estreito de Ormuz e o adiamento das negociações sobre o programa nuclear de Teerão, mas a Casa Branca desconsiderou o documento, classificando-o como falso.No texto, o Irão comprometia-se a permitir o tráfego marítimo comercial através do estreito de Ormuz nos níveis pré-guerra no prazo de um mês, num processo a ser gerido em conjunto com Omã.“Ninguém as controlará. São águas internacionais e Omã comportar-se-á como qualquer outro país", insistiu hoje Donald Trump.Por sua vez, segundo o esboço do acordo negocial, os Estados Unidos levantariam o bloqueio aos portos e navios iranianos e retirariam as suas forças armadas das proximidades da República Islâmica.Depois disso, os dois países teriam 60 dias para negociar as restantes questões que separam as partes.Em causa, deverão estar o programa de enriquecimento de urânio e de produção de mísseis de longo alcance do Irão, bem como o seu apoio a grupos armados no Médio Oriente, a par do descongelamento de ativos iranianos no estrangeiro e levantamento de sanções internacionais a Teerão.Sobre estes dois últimos assuntos, o Presidente norte-americano negou igualmente negociações para um possível alívio das sanções ou a libertação de fundos iranianos."Não, não estamos a falar de alívio de sanções nem de dar dinheiro. Nem sanções, nem dinheiro, nada", afirmou Trump, reforçando as suas ameaças a Teerão."Estamos muito bem. Acho que estão a começar a dar-nos o que precisam de nos dar. Se o fizerem, ótimo. E se não o fizerem, então o homem à minha esquerda [o secretário da Defesa, Pete Hegseth] vai acabar com eles", avisou.As negociações foram abaladas nos últimos dias por ataques norte-americanos contra pontos de lançamento de mísseis e barcos de plantação de minas no sul do Irão.Os Estados Unidos alegaram que agiram com “moderação” face ao cessar-fogo em vigor desde 08 de abril, enquanto o Irão condenou estas ações como um sinal de “má-fé e falta de fiabilidade”.O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu na terça-feira algumas discrepâncias entre as partes que ainda têm de ser resolvidas, o que levará "alguns dias".