O Tribunal de Contas do Brasil (TCU) pediu a suspensão parcial da verba pública destinada ao desfile da escola de samba Académicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, a 15 de fevereiro, domingo de carnaval. Em causa, uma homenagem a Lula, atual presidente da República, no samba-enredo.Por entender que o carnaval promove o turismo internacional no país, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), órgão público, destina todos os anos 12 milhões de reais, perto de dois milhões de euros, para a Liga Independente de Escolas de Sambas (Liesa), que depois divide o valor, um milhão de reais, cerca de 160 mil euros, igualmente entre as 12 escolas da divisão principal do evento.No caso do samba-enredo que homenageia Lula, sob o título “Lula, o operário do Brasil”, um auditor do TCU entende que há “desvio de finalidade”. “Com afronta aos princípios da indisponibilidade do interesse público, da impessoalidade e da moralidade”, lê-se na análise de Gregório de Faria, assinada no dia 29 de janeiro.A análise foi provocada por queixa de parlamentares da oposição ao governo, entre os quais a senadora Damares Alves, ex-ministra de Jair Bolsonaro, que destaca, “além da promoção pessoal do atual presidente da República”, os ataques a “mitos falsos” no samba, no que pode ser entendido como indireta ao ex-presidente, chamado de “mito” pelos apoiantes. A escola, por sua vez, fala em “censura”: “a liberdade de expressão tem que ser defendida”, disse Anderson Pipico, presidente de honra da Académicos de Niterói e vereador do Rio pelo PT, o partido de Lula. A Embratur reforça que a verba deve ser dividida de forma igualitária entre as escolas, segundo o acordo estabelecido com a Liesa. O presidente da República, entretanto, foi convidado a desfilar na escola mas a segurança do Planalto ainda avalia a viabilidade da presença dele. .Lula da Silva veta projeto de lei que reduz penas de Bolsonaro e outros condenados.A maior remodelação do mundo? Lula trocará 22 ministros até abril