Tragédia em Espanha. Comunicações revelam que maquinista não se apercebeu do embate entre os dois comboios
FOTO: EPA/DAVID ARJONA

Tragédia em Espanha. Comunicações revelam que maquinista não se apercebeu do embate entre os dois comboios

Os áudios das comunicações telefónicas revelam que só num segundo momento, já depois de ter saído da sua cabina, o maquinista se apercebe da existência de feridos e de um incêndio numa carruagem.
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O maquinista do comboio da empresa Iryo, que descarrilou e sofreu depois o embate do comboio de alta velocidade da Renfe Alvia, não teve a perceção do choque entre as duas composições em Adamuz, perto da cidade de Córdoba.

É esta a conclusão que se pode chegar tendo em conta as comunicações entre o maquinista e a central ferroviária de Atocha, em Madrid, que foram divulgadas esta quarta-feira, 21 de janeiro, pelo jornal espanhol El Diário.

De acordo com o registo áudio, o maquinista começa por informar às 19h45 (18h45 em Portugal continental) que a sua composição tinha sofrido um descarrilamento, mas nesse primeiro momento não se tinha apercebido ainda da tragédia que, de acordo com a atualização desta quarta-feira, causou pelo menos 43 mortos, depois de ter sido descoberto mais um corpo entre os destroços.

No primeiro contacto o maquinista informa a central que o seu comboio, que viajava de Málaga para Madrid, tinha tido "um problema" técnico e que a composição estava parada nos carris, confirmando que tinha desligado o pantógrafo, dispositivo instalado no teto do comboio que recebe a energia dos cabos elétricos que acompanham a linha.

Por essa altura, ainda não tinha a consciência de que três carruagens tinham descarrilado e que havia mortos e feridos entre os passageiros. Nesse sentido, solicitou à central a autorização para deixar a cabina para avaliar a situação no exterior.

Foi apenas na segunda chamada telefónica que o maquinista informou a central de Atocha que se tratava de descarrilamento e que várias carruagens estavam atravessadas, estando inclusive a bloquear a linha de sentido inverso.

O maquinista revelou então que as coisas pareciam mais graves do que inicialmente supunha, como se comprova no facto de ter solicitado a interrupção do tráfego naquela linha para evitar colisões com outros comboios, o que denota que ele não sabia que nessa altura já tinha havido o embate do comboio Renfe Alvia, que seguia no sentido Madrid Huelva, com as carruagens traseiras da sua composição, que estavam atravessadas na linha de sentido contrário.

Ainda assim, a comunicação revela que já tinha consciência de que a situação era grave, pois pediu que fossem deslocados para o local os “serviços de emergência, bombeiros e ambulâncias”, relatando inclusive a existência de feridos e de um incêndio numa carruagem.

Recorde-se que o comboio da empresa Iryo descarrilou ao quilómetro 318,69 quando viajava a aproximadamente 200 quilómetros por hora, numa zona em que o limite de velocidade é de 250 quilómetros/hora. Cerca de 20 segundos após ter descarrilado, este comboio foi atingido por outro da Renfe Alvia, que viajava a uma velocidade semelhante de Madrid para Huelva.

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