O maquinista do comboio da empresa Iryo, que descarrilou e sofreu depois o embate do comboio de alta velocidade da Renfe Alvia, não teve a perceção do choque entre as duas composições em Adamuz, perto da cidade de Córdoba. É esta a conclusão que se pode chegar tendo em conta as comunicações entre o maquinista e a central ferroviária de Atocha, em Madrid, que foram divulgadas esta quarta-feira, 21 de janeiro, pelo jornal espanhol El Diário..De acordo com o registo áudio, o maquinista começa por informar às 19h45 (18h45 em Portugal continental) que a sua composição tinha sofrido um descarrilamento, mas nesse primeiro momento não se tinha apercebido ainda da tragédia que, de acordo com a atualização desta quarta-feira, causou pelo menos 43 mortos, depois de ter sido descoberto mais um corpo entre os destroços.No primeiro contacto o maquinista informa a central que o seu comboio, que viajava de Málaga para Madrid, tinha tido "um problema" técnico e que a composição estava parada nos carris, confirmando que tinha desligado o pantógrafo, dispositivo instalado no teto do comboio que recebe a energia dos cabos elétricos que acompanham a linha. Por essa altura, ainda não tinha a consciência de que três carruagens tinham descarrilado e que havia mortos e feridos entre os passageiros. Nesse sentido, solicitou à central a autorização para deixar a cabina para avaliar a situação no exterior. Foi apenas na segunda chamada telefónica que o maquinista informou a central de Atocha que se tratava de descarrilamento e que várias carruagens estavam atravessadas, estando inclusive a bloquear a linha de sentido inverso.O maquinista revelou então que as coisas pareciam mais graves do que inicialmente supunha, como se comprova no facto de ter solicitado a interrupção do tráfego naquela linha para evitar colisões com outros comboios, o que denota que ele não sabia que nessa altura já tinha havido o embate do comboio Renfe Alvia, que seguia no sentido Madrid Huelva, com as carruagens traseiras da sua composição, que estavam atravessadas na linha de sentido contrário.Ainda assim, a comunicação revela que já tinha consciência de que a situação era grave, pois pediu que fossem deslocados para o local os “serviços de emergência, bombeiros e ambulâncias”, relatando inclusive a existência de feridos e de um incêndio numa carruagem. Recorde-se que o comboio da empresa Iryo descarrilou ao quilómetro 318,69 quando viajava a aproximadamente 200 quilómetros por hora, numa zona em que o limite de velocidade é de 250 quilómetros/hora. Cerca de 20 segundos após ter descarrilado, este comboio foi atingido por outro da Renfe Alvia, que viajava a uma velocidade semelhante de Madrid para Huelva..Português recorda o "inferno" que viveu no acidente de comboio em Espanha e diz que é um "milagre estar vivo".Dois comboios de alta velocidade descarrilam em Córdoba. Há pelo menos 21 mortos e dezenas de feridos