Depois de em janeiro ter conseguido assegurar um segundo mandato à frente do Partido Comunista do Vietname (o cargo mais importante do país), To Lam foi eleito esta terça-feira (7 de abril) presidente. Uma eleição que rompe com a tradição de liderança coletiva partilhada neste país de partido único, onde duas pessoas diferentes costumam ocupar esses dois cargos, com outros dois a ocupar a chefia do Governo e a presidência da Assembleia Nacional. E transforma o antigo polícia no político mais poderoso em várias décadas no Vietname - com uma concentração de poder ao estilo do chinês Xi Jinping.A eleição de To Lam, de 68 anos, já era esperada. Era o único candidato, tendo sido proposto pelo Partido Comunista, e a votação na Assembleia Nacional é vista como apenas uma formalidade - teve 99%, contando com o voto favorável dos 495 deputados presentes (cinco estavam ausentes).O antigo governador do Banco Central, Le Minh Hung, filho de um antigo ministro da Segurança Pública que foi o mentor de Lam (ocupou esse mesmo cargo durante oito anos), foi eleito primeiro-ministro para os próximos cinco anos.Na prática será a segunda vez que To Lam acumula os dois cargos, já que tinha sido eleito presidente em maio de 2024 quando, em julho, o então líder do partido, Nguyen Phu Trong, morreu. Assumiu então o cargo de secretário-geral de forma interina, acabando eleito em agosto. Deixaria a presidência em outubro, cedendo na altura à ideia da liderança coletiva partilhada que agora enfraquece. Após a votação, Lam disse aos deputados que era uma honra ocupar ambos os cargos e prometeu “um novo modelo de crescimento com a ciência, a tecnologia, a inovação e a transformação digital como principais forças motrizes”. O novo presidente indicou ainda que as suas principais prioridades eram manter a estabilidade, promover o desenvolvimento nacional rápido e sustentável e melhorar “todos os aspetos da vida das pessoas”. Mas ainda tem desafios pela frente, tendo que ultrapassar divisões internas para avançar nas reforças que incluem, por exemplo, reduzir o número de funcionários ou cortar nos ministérios (o que será impopular)A concentração do poder (mesmo se o cargo de presidente é considerado meramente cerimonial) garante-lhe um mandato mais forte para impulsionar a sua agenda, disse à agência AP Nguyen Khac Giang, do centro de investigação ISEAS-Yusof Ishak de Singapura. “A oportunidade é óbvia. Tomada de decisões mais rápida, maior coerência política e uma melhor hipótese de implementar reformas difíceis num momento crucial”, acrescentou. Outro investigador do mesmo centro, Le Hong Hiep, lembrou contudo à agência Reuters que “concentrar mais poder nas mãos de To Lam pode representar riscos para o sistema político do Vietname, como o aumento do autoritarismo”. .Vietname marca 50 anos do fim da guerra: "uma vitória da fé" e "da justiça sobre a tirania"