Mensagens contra a Reunião Nacional no arranque da campanha da Nova Frente Popular, em Montreuil, subúrbios de Paris.
Mensagens contra a Reunião Nacional no arranque da campanha da Nova Frente Popular, em Montreuil, subúrbios de Paris.LUDOVIC MARIN/AFP

Tiro de partida para uma campanha eleitoral dramática

Controversa coligação do partido de Le Pen com os Republicanos e Nova Frente Popular, saco de gatos da esquerda e extrema-esquerda, à frente do partido de Macron.
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A data de apresentação das candidaturas para os 577 lugares de deputado à Assembleia Nacional terminou no domingo, porém na segunda-feira continuavam a ser desfiadas as novidades sobre a composição das listas e as jogadas partidárias no primeiro dia de campanha para as eleições de dia 30 deste mês e 7 de julho, sentidas com uma carga dramática incomum e que já chegou aos protagonistas do desporto, do mundo editorial ou da internet, com abaixo-assinados a apelarem para a mobilização contra a extrema-direita. À esquerda e à direita os ressentimentos e as diferenças saltam à vista na Nova Frente Popular e no acordo do líder de Os Republicanos com a Reunião Nacional. 

A dissolução da Assembleia Nacional e a convocação de eleições legislativas na sequência do resultado das eleições europeias por parte do presidente Emmanuel Macron é visto como uma jogada de alto risco, e inclusive entre os seus próximos não falta quem critique a decisão inesperada. “Atirou-nos para debaixo do autocarro”, desabafou um ministro à The Economist. Ou como afirma a jornalista Solenn de Royer, no Le Monde, “Emmanuel Macron, que desencadeou esta dissolução para encurralar os partidos, encurralou-se a si próprio”. 

Em público, a mensagem do bloco centrista é outra: “O objetivo é criar uma nova maioria parlamentar”, disse o antigo primeiro-ministro Édouard Philippe, líder do pequeno partido Horizons, aliado do Renascimento. Mas não se vê como: as sondagens continuam a castigar o projeto reformista e liberal de Macron. O Renascimento recolhe 18% de votos na mais recente sondagem Ifop para o canal de TV LCI, enquanto a extrema-direita (Reunião Nacional) continua em ascensão, com 33%, mais 2,6 pontos do que nas eleições de dia 9. A esquerda e a extrema-esquerda, unidas na Nova Frente Popular, são a preferência de 28% dos eleitores. não mostrando para já que a união faz a força: os Ecologistas, a lista do PS e a França Insubmissa obtiveram em separado 30% dos votos nas europeias. 

Este último bloco é um conjunto tão heterodoxo que há candidatos em nome do PS que não aceitam a designação Nova Frente Popular. Depois há candidatos como Frédéric Mathieu, de a França Insubmissa que desistiram depois de já serem candidatos. Mathieu denuncia “abjetas manobras caluniosas dos círculos mélenchonistas”, em referência ao líder, Jean-Luc Mélenchon. Este já tinha forçado a candidatura de um seu próximo, Adrien Quatennens, condenado por violência doméstica, o que levou o seu colega de partido Françous Ruffin a rebelar-se contra a “idiotice” da jogada, que acabou abortada.

À direita, Éric Ciotti, o contestado líder dos Republicanos, reafirmou o pacto eleitoral com o partido de Marine Le Pen, ao apresentar 62 candidatos nessa coligação, dos quais diz serem quatro ou cinco deputados do seu partido. 

Desportistas cerram fileiras

Primeiro foi o futebolista Marcus Thuram a pedir para se lutar “todos os dias” de forma a derrotar a Reunião Nacional. No domingo, o capitão da seleção francesa Kylian Mbappé saiu a terreiro a defender Thuram e, perante o “extremismo” às “portas do poder”, a apelar para os jovens votarem e dessa forma continuar a vestir a camisola dos bleus com orgulho. A antiga estrela e agora selecionador olímpico Thierry Henry mostrou-se de acordo com Mbappé, tal como a ministra do Desporto (e ex-tenista Amélie Oudéa-Castéra).

Também no domingo, quase 200 personalidades do desporto francês, entre as quais Yannick Noah, Marie-José Pérec ou Jo-Wilfried Tsonga, assinaram um texto no L’Équipe em que fizeram um apelo para que se vote contra a extrema-direita.

cesar.avo@dn.pt

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