Televisão e rádio públicas checas entram em greve contra plano do Governo
Os trabalhadores da televisão e da rádio públicas da República Checa iniciaram esta terça-feira, 3 de novembro, uma greve de 24 horas contra uma proposta do Governo que prevê cortes no financiamento das emissoras e a transferência das suas fontes de receita para o Orçamento do Estado. Os profissionais receiam que as alterações comprometam a independência editorial dos meios de comunicação.
A paralisação provocou perturbações nas emissões. No canal de notícias da televisão pública checa, os apresentadores surgiram vestidos de preto, a ler os noticiários a partir de um guião, perante uma redação às escuras. Estão também previstos protestos em Praga, com o apoio de artistas e estudantes, segundo noticiou a Reuters.
O Governo liderado pelo primeiro-ministro Andrej Babis pretende eliminar a taxa mensal de 205 coroas checas (cerca de €8,70) paga pelas famílias para financiar os meios públicos. A proposta inclui uma redução de 15% nas verbas, que, segundo as emissoras, faria regressar os respetivos orçamentos a níveis de há quase duas décadas.
Os trabalhadores acusam o executivo de tentar aumentar o controlo político sobre a informação. "Esta proposta, se for aprovada, dará à coligação governamental instrumentos para influenciar politicamente os conteúdos de ambos os meios de comunicação públicos", afirmou Jan Molacek, jornalista da televisão pública e membro da comissão de greve, citado pela Reuters.
Babis, poro outro lado, rejeitou as acusações e garantiu que o objetivo é aliviar os encargos financeiros das famílias. "Ninguém quer tomar conta dos meios de comunicação públicos nem colocá-los sob controlo do Estado", afirmou na segunda-feira (2).
O projeto, que passou uma primeira votação parlamentar em outubro, ainda terá de ser debatido antes da aprovação definitiva.

