Manifestação em defesa dos meios de comunicação públicos na República Checa, em junho; trabalhadores estão em greve nesta terça-feira, 3 de novembro.
Manifestação em defesa dos meios de comunicação públicos na República Checa, em junho; trabalhadores estão em greve nesta terça-feira, 3 de novembro.Foto: DR/Česká televize

Televisão e rádio públicas checas entram em greve contra plano do Governo

Trabalhadores contestam proposta que prevê cortes de 15% no financiamento e a substituição das taxas pagas pelos cidadãos por verbas do Orçamento do Estado; Governo rejeita acusações.
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Os trabalhadores da televisão e da rádio públicas da República Checa iniciaram esta terça-feira, 3 de novembro, uma greve de 24 horas contra uma proposta do Governo que prevê cortes no financiamento das emissoras e a transferência das suas fontes de receita para o Orçamento do Estado. Os profissionais receiam que as alterações comprometam a independência editorial dos meios de comunicação.

A paralisação provocou perturbações nas emissões. No canal de notícias da televisão pública checa, os apresentadores surgiram vestidos de preto, a ler os noticiários a partir de um guião, perante uma redação às escuras. Estão também previstos protestos em Praga, com o apoio de artistas e estudantes, segundo noticiou a Reuters.

O Governo liderado pelo primeiro-ministro Andrej Babis pretende eliminar a taxa mensal de 205 coroas checas (cerca de €8,70) paga pelas famílias para financiar os meios públicos. A proposta inclui uma redução de 15% nas verbas, que, segundo as emissoras, faria regressar os respetivos orçamentos a níveis de há quase duas décadas.

Os trabalhadores acusam o executivo de tentar aumentar o controlo político sobre a informação. "Esta proposta, se for aprovada, dará à coligação governamental instrumentos para influenciar politicamente os conteúdos de ambos os meios de comunicação públicos", afirmou Jan Molacek, jornalista da televisão pública e membro da comissão de greve, citado pela Reuters.

Babis, poro outro lado, rejeitou as acusações e garantiu que o objetivo é aliviar os encargos financeiros das famílias. "Ninguém quer tomar conta dos meios de comunicação públicos nem colocá-los sob controlo do Estado", afirmou na segunda-feira (2).

O projeto, que passou uma primeira votação parlamentar em outubro, ainda terá de ser debatido antes da aprovação definitiva.

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