França, Alemanha, Itália e Albânia: a contestação está nas ruas (veja imagens e vídeos)
O sábado é marcado por novos protestos em várias cidades europeias, demonstrando que a população já não aguenta o aumento do custo de vida. De Lisboa a Tirana, passando por Roma, Paris e Berlim, milhares de pessoas, sobretudo jovens, foram às ruas mostrar a insatisfação com o rumo da política e economia na atualidade.
Veja como foram as manifestações:
Paris
Cerca de 320 mil pessoas participaram nas manifestações convocadas em toda a França para contestar o elevado custo de vida, anunciou o Governo, que destacou um “dispositivo excecional” com 70 mil agentes de segurança. O número de manifestantes foi avançado hoje pelo Ministério do Interior, enquanto a polícia estimou em 350 o número de ações planeadas em todo o país.
A manifestação na capital francesa reuniu 70.000 pessoas, de acordo com fontes oficiais. O chamado ‘terceiro ato’ do protesto contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos – depois de manifestações em 17 e 24 de outubro -, foi considerado “de elevado risco de perturbações da ordem pública”, admitiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Alemanha
Na Alemanha, uma manifestação em Berlim reuniu cerca de cinco mil pessoas, segundo a polícia, em que protestaram contra a guerra, o custo de vida e a falta de perspetivas para o futuro. “Porque é que temos de carregar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia? E porque temos de usar armas alemãs?”, perguntaram os jovens.
A contestação junta preocupações com a situação económica, a falta de habitação acessível, os cortes nos serviços públicos e o aumento da despesa militar. Os protestos inspiram-se em mobilizações de jovens noutros países europeus, nomeadamente em França e Itália. Os organizadores do movimento GenZ regelt! (A Geração Z trata disso!) esperam mais de 170 mil participantes em todo o país, incluindo em Berlim, Frankfurt e Colónia.
Itália
Na capital italiana, várias dezenas de tendas de campanha continuam instaladas em frente ao Coliseu de Roma no âmbito do protesto de estudantes, sindicalistas e ativistas contra o custo de vida e o aumento da despesa militar.
Os manifestantes preveem manter o acampamento pelo menos até à manhã de domingo, embora estejam a ponderar prolongar a ação por mais alguns dias.
O plano dos participantes passa por passar a noite de hoje para domingo no local e realizar uma reunião no domingo, às 11:00, para organizar as próximas ações de protesto.
Entre os manifestantes que pernoitam junto ao Coliseu encontram-se estudantes dos coletivos Cambiare Rotta e Opposizione Studentesca d'Alternativa (OSA) e membros do Movimento pelo Direito à Habitação.
Os participantes do “Acampamento dos Direitos", protestam contra as dificuldades no pagamento de rendas e propinas, enquanto vários trabalhadores denunciam salários demasiado baixos para cobrir os custos de subsistência.
Albânia
Dezenas de manifestantes encapuzados atiraram pedras de calçada e “cocktails Molotov” contra a polícia posicionada em frente ao Ministério da Educação da Albânia, antes de serem repelidos. O protesto deu início a uma nova manifestação convocada pelos estudantes que exigem a demissão do primeiro-ministro Edi Rama.
Este país balcânico de 2,3 milhões de habitantes, governado desde 2013 pelo socialista Edi Rama, tem sido palco, desde há meses, de protestos que, desde meados de outubro, se transformaram em confrontos violentos entre a Polícia e os manifestantes nas ruas da capital albanesa.
Inicialmente, centenas de manifestantes protestaram pacificamente frente ao Ministério da Educação, ponto de partida das manifestações diárias, gritando "Rama, demite-te!", e "Não há Albânia sem juventude!", segundo a agência noticiosa France Presse.
*Com Lusa

