Teerão diz que pode reabrir estreito de Ormuz em dois dias se EUA aceitarem condições
O Irão assegurou esta segunda-feira, 2 de novembro, que poderá iniciar um plano para reabrir o Estreito de Ormuz no prazo de dois dias e iniciar negociações mais profundas sobre o fim da guerra se os Estados Unidos aceitarem as suas condições.
“Se as exigências legítimas do Irão forem aceites e cumpridas, existe a possibilidade de que todo o plano seja posto em prática num prazo de dois dias, a segurança no estreito de Ormuz seja restabelecida e o processo de negociações tenha início”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, numa conferência de imprensa em Teerão.
O porta-voz afirmou que tudo “depende inteiramente da vontade e da decisão de Washington”.
“A decisão está com os Estados Unidos, pois as nossas exigências foram expressas de forma muito clara e transparente”, insistiu Baghaei.
O porta-voz da diplomacia iraniana considerou que as reivindicações de Teerão são “razoáveis e lógicas” e lembrou que, entre estas, está a exigência de que os Estados Unidos suspendam o bloqueio imposto aos portos e navios do país persa.
Entre as condições iranianas, incluem-se também o fim do conflito em todas as frentes — incluindo no Líbano —, o descongelamento dos seus ativos em países terceiros, o reconhecimento do controlo de Ormuz por parte do Irão e Omã, e a suspensão das sanções ao petróleo, entre outras.
Trump ameaça lançar novos ataques contra o Irão
O Irão e os Estados Unidos intensificaram os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra depois de o vice-presidente norte-americano, JD Vance, ter enviado, na semana passada, uma carta ao secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, propondo o retomar das negociações.
Neste contexto, Teerão enviou uma delegação a Doha no fim de semana, “dado que o Qatar está a facilitar a troca de mensagens entre o Irão e os Estados Unidos”, explicou hoje Baghaei.
Apesar de a intensificação das negociações indiretas, o Irão tem continuado a reportar incidentes no estreito de Ormuz — que costuma atribuir ao choque de embarcações com minas —, enquanto a organização britânica de Operações Marítimas Comerciais (UKMTO, na sigla em inglês) classifica-os como ataques.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou no domingo — durante um comício no Iowa [na região centro dos EUA] e antes das eleições legislativas intercalares desta terça-feira — lançar novos ataques contra o Irão.
Além disso, segundo a imprensa norte-americana, discutiu com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de retomar os bombardeamentos.

