Irão. Emirados esperam um avanço diplomático mas preparam-se para "o pior" entre Teerão e Washington
Os Emirados Árabes Unidos esperam que os esforços diplomáticos em curso evitem o retomar das hostilidades entre Teerão e Washington, ao mesmo tempo que se declaram “preparados para enfrentar o pior”, afirmou fonte diplomática local.
“Esperamos um avanço diplomático, pois não é do interesse da região (…) passar por um novo ciclo de confronto. Mas, como já demonstrámos no passado, também estamos preparados para enfrentar o pior”, declarou Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados, o xeque Zayed bin Sultan al-Nahyan, durante a conferência “Manama Dialogue”, que decorre na capital do Bahrein.
Em curso estão conversações entre o Irão e os países mediadores do conflito, nomeadamente o Qatar. Depois da deslocação esta semana a Teerão de uma delegação do emirado, o Irão enviou representantes ao país do Golfo para dar continuidade às consultas. Apesar destas diligências diplomáticas, o Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou no sábado, 31 de outubro, as suas ameaças, afirmando que ainda havia “uma ou duas instalações” nucleares por neutralizar.
Informações divulgadas pela imprensa apontam para a possibilidade de uma campanha militar curta e intensa após as eleições intercalares norte-americanas, que se realizam na próxima terça-feira, 3 de novembro.
Os Estados Unidos não permitirão que o Irão “mantenha a região e a economia mundial como reféns”, afirmou um alto responsável norte-americano presente em Manamá. “A mão das negociações foi estendida e estes canais de comunicação mantiveram-se abertos e ativos. Ao mesmo tempo, estamos também preparados para seguir outro caminho”, declarou o secretário de Estado adjunto norte-americano para os Assuntos do Médio Oriente, Donald Blome.
A guerra começou em 28 de fevereiro, na sequência de ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que respondeu com ataques, nomeadamente, contra países do Golfo aliados de Washington. Um cessar-fogo, em abril, pôs fim a quase 40 dias de intensos bombardeamentos, tendo sido alcançado, em junho, um memorando de entendimento destinado a pôr termo definitivo ao conflito.
Contudo, o frágil entendimento desmoronou-se durante o verão e as negociações não conseguiram, desde então, pôr fim duradouro à guerra.

