Teerão diz que ataques dos EUA a petroleiros iranianos são ameaça à segurança
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condenou esta quarta-feira, 9 de setembro, os ataques dos Estados Unidos a petroleiros iranianos, afirmando que representam não só uma “escalada perigosa”, como uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional.
“As ações agressivas dos Estados Unidos contra as embarcações comerciais iranianas não só aumentam os perigos associados às tensões na região, como também constituem uma clara ameaça à paz e à segurança regional e internacional”, afirmou o ministério em comunicado.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros, dirigido por Abbas Araghhi, classificou ainda os ataques, o bloqueio marítimo e a guerra económica levados a cabo pelos Estados Unidos como “uma violação flagrante da Carta da ONU e do Direito Internacional”.
Sublinhando o direito do Irão à autodefesa, confirmou que o seu país atacou bases e instalações militares norte-americanas na Jordânia e argumentou que esta continua a apoiar a ofensiva militar contra a República Islâmica.
“Também foram realizados ataques defensivos contra vários navios de guerra norte-americanos agressores”, acrescentou o ministério.
A República Islâmica, adiantou, “não hesitará em exercer o seu direito inerente à autodefesa e responderá com firmeza e de forma apropriada a qualquer agressão militar do inimigo”.
Nas últimas horas, tem-se assistido a um ressurgimento dos ataques no estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos reivindicaram a responsabilidade por ataques contra cinco petroleiros iranianos, aos quais Teerão respondeu com o lançamento de mísseis contra um hangar norte-americano na base militar de al-Azraq, na Jordânia, e contra dois contratorpedeiros norte-americanos, que, segundo o Irão, sofreram “danos consideráveis”.
A Guarda Revolucionária anunciou ainda ter atacado oito petroleiros e uma dezena de outros alvos, depois de ter ameaçado atacar 10 alvos norte-americanos no Médio Oriente por cada ataque aéreo norte-americano contra o país.
“Se o inimigo atacar dois dos nossos alvos, atacaremos 20” dos deles, disse um porta-voz da Guarda Revolucionária, que sublinhou que, pela primeira vez na guerra, foram feitos “danos estratégicos aos Estados Unidos, afetando as suas relações económicas e de segurança”.
A mesma fonte avisou que “se o inimigo quiser que isto termine, tem de cessar completamente a guerra e as suas ameaças, o exército israelita tem de retirar-se do Líbano, o bloqueio ao Iémen tem de ser levantado, 24 mil milhões de dólares [cerca de 20,6 mil milhões de euros] em ativos iranianos têm de ser desbloqueados e a interferência nas capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irão tem de acabar”.
A Guarda Revolucionária também disse que uma nova "zona proibida" ao largo do estreito de Ormuz cobriria parte do golfo de Omã e além, acrescentando que as coordenadas exatas seriam anunciadas mais tarde.
"Começa aproximadamente na direção de Chabahar (sul do Irão), cobre parte do mar de Omã e outra parte do Mar Arábico (...) Se um navio entrar nesta zona sem coordenação prévia, estará sujeito a sanções", disse o porta-voz da Guarda, Hossein Mohebi, à televisão estatal, acrescentando que as sanções incluiriam a proibição de beneficiar de serviços relacionados com a navegação.
Antes de os ataques terem ressurgido, esta semana, já tinham estagnado as negociações mediadas pelo Paquistão para pôr fim à guerra iniciada a 28 de fevereiro com a ofensiva israelo-americana sobre o Irão.

