“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.
“O Irão é a nossa pátria”, lê-se no cartaz gigante nas ruas de Teerão.EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Teerão admite negociações sobre nuclear com Washington

Chefe da diplomacia iraniana encontrou-se com o homólogo turco numa tentativa de evitar um ataque norte-americano ao Irão que desestabilizaria a região.
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O Irão admitiu esta sexta-feira, 30 de janeiro, negociar com os Estados Unidos uma solução para o conflito em torno do programa nuclear iraniano, apesar do que descreveu como a “falta de boa vontade de Washington no passado”.

“Rejeitamos qualquer política imposta, mas estamos dispostos a participar num processo diplomático significativo, lógico e justo”, afirmou o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, no final de conversações com o homólogo turco, Hakan Fidan, em Istambul.

“Apesar da falta de boa vontade norte-americana no passado, Teerão está pronta para retomar as conversações nucleares, sempre que sejam plenamente atendidos os seus interesses legítimos e as suas preocupações legais”, disse Araghchi, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

O ministro turco considerou fundamental que Washington e Teerão retomem as negociações, numa altura de grande tensão face à ameaça norte-americana de um ataque contra o Irão.

“A retoma das negociações sobre o nuclear entre o Irão e os Estados Unidos é vital para acalmar as tensões regionais”, afirmou Fidan, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Fidan defendeu que o diálogo poderá abrir caminho ao levantamento das sanções impostas ao Irão.

Abbas Araghchi chegou na manhã desta sexta à cidade turca de Istambul para se reunir com Hakan Fidan, numa tentativa de evitar um ataque norte-americano ao Irão que desestabilizaria a região.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou atacar o Irão na sequência da repressão das manifestações contra o regime na República Islâmica nas últimas semana, que terão causado mais de seis mil mortos, segundo organizações de direitos humanos.

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A Turquia, que partilha uma fronteira de 550 quilómetros com o Irão, ofereceu-se para mediar conversações entre Teerão e Washington durante uma conversa telefónica entre os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e iraniano, Masoud Pezeshkian.

Erdogan disse a Pezeshkian que a Turquia estava pronta “para desempenhar um papel de facilitador” com o objetivo de “acalmar as tensões e resolver os problemas”, segundo um comunicado da presidência turca.

Pezeshkian defendeu perante Erdogan que as ameaças dos Estados Unidos devem cessar para dar uma oportunidade à diplomacia, segundo um comunicado divulgado em Teerão pela presidência iraniana.

“O êxito de qualquer iniciativa diplomática depende da boa vontade das partes envolvidas e do abandono de movimentos e ações belicosos e ameaçadores na região”, disse Pezeshkian.

Para as autoridades iranianas, a retórica norte-americana, que tem alternado entre a pressão militar e a abertura ao diálogo, é o principal obstáculo à estabilização da crise.

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Durante a conferência de imprensa conjunta com Araghchi, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco reforçou esta posição ao apelar a Washington para que resista à pressão do seu aliado Israel para atacar o Irão.

“Constatamos que Israel tenta persuadir os Estados Unidos a lançar um ataque militar contra o Irão (...). Esperamos que a administração norte-americana dê provas de bom senso”, declarou Fidan.

Trump declarou na quinta-feira esperar não ter de atacar o Irão, enquanto Teerão ameaça ripostar instantaneamente contra as bases e porta-aviões dos Estados Unidos em caso de agressão.

“Somos fortes. Somos poderosos financeiramente. Somos poderosos militarmente. (...) E agora temos um grupo [aeronaval] que se dirige para um país chamado Irão. E espero não ter de utilizar esta força”, afirmou Trump em Washington.

A Turquia, membro da NATO, procura evitar um novo conflito na região que possa desencadear uma vaga de milhares de migrantes ao longo da fronteira com o Irão.

Por precaução, Ancara prepara-se para “reforçar a segurança na fronteira”, disse um alto responsável turco à AFP.

A Turquia já ergueu um muro de 380 quilómetros na linha divisória para conter imigrantes ilegais e o tráfico de estupefacientes, mas a mesma fonte considerou não ser suficiente.

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