O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, vai estar esta sexta-feira, 30 de janeiro, na Turquia - país vizinho do Irão e membro da NATO - para discutir com o seu homólogo, Hakan Fidan, as tensões com os Estados Unidos, anunciou esta quinta-feira uma fonte da diplomacia turca. Segundo vários media internacionais, este encontro servirá também para tentar evitar um ataque norte-americano, numa altura em que Ancara está a tentar convencer Teerão de que é preciso fazer concessões sobre o seu programa nuclear para evitar um conflito.Segundo a mesma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, citada pela Reuters, Fidan pretende dizer a Araqchi que a Turquia acompanha de perto os acontecimentos no Irão e que a segurança, a paz e a estabilidade do Irão são de “grande importância” para Ancara. Mas também que a Turquia é contra qualquer ataque militar ao Irão, pois “criará riscos à escala global”. O líder da diplomacia turca, prosseguiu a mesma fonte, vai oferecer o apoio de Ancara para ajudar a resolver as tensões com os Estados Unidos, sublinhando também que “a Turquia apoia a procura de uma solução para o programa nuclear iraniano o mais rapidamente possível e que está pronta para ajudar nesta questão, se necessário”.Este apoio de mediação já havia sido dado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que propôs a realização de uma videoconferência entre Donald Trump e o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian. Proposta que ainda não teve resposta. A Turquia tem estado em contacto com Teerão e Washington, alertando os dois lados para o perigo que um conflito representaria para a região, tendo ainda apelado aos Estados Unidos para que resolva as suas questões com o Irão “uma a uma”, noticiou a Reuters. Esta tentativa de apaziguamento vem acompanhada por sinais que os dois lados poderão estar preparar-se para um conflito. O primeiro vice-presidente do Irão, Mohammad Reza Aref, avisou esta quinta-feira que o país deve preparar-se para a guerra, perante a ameaça dos EUA de usar a força militar contra a República Islâmica. “Hoje, devemos estar preparados para a guerra. A República Islâmica do Irão nunca inicia uma guerra, mas se lhe for imposta uma, defender-se-á com força”, afirmou. Ao mesmo tempo, soube-se que a marinha da Guarda Revolucionária vai fazer exercícios com munições reais domingo e segunda-feira no Estreito de Ormuz, a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo.Do lado dos EUA, Trump não voltou esta quinta-feira a ameaçar o Irão como na véspera - quando falou de um “ataque pior do que o último” caso Teerão não aceite negociar um acordo nuclear - deixando esse papel para o secretário da Defesa, Pete Hegseth. “Estaremos preparados para cumprir o que este presidente espera do Departamento de Guerra”, disse, referindo-se ao novo nome do Departamento de Defesa. Hegseth deixou ainda claro que os iranianos “têm todas as opções para chegar a um acordo”. Segundo fontes da Reuters, Trump estará a equacionar as suas opções contra o Irão, que incluem ataques às forças de segurança e aos líderes do país para inspirar os protestos e provocar uma “mudança de regime”. Outra opção seria um ataque maior, com mais impacto, por exemplo contra o programa de mísseis balísticos ou novamente contra as infraestruturas nucleares. De acordo com a mesma agência, altos funcionários da defesa e dos serviços de informação de Israel e da Arábia Saudita estiveram esta semana em Washington para conversações separadas sobre o Irão. Os sauditas estarão a servir de intermediários entre norte-americanos e iranianos, na expectativa de evitar uma guerra na região, segundo o Axios. Já a União Europeia classificou esta quinta-feira a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista, em resposta à repressão de manifestações recentes no país que causou milhares de mortos. Uma decisão, que requeria unanimidade, tomada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco. O bloco sancionou ainda o ministro do Interior do Irão, Eskandar Momeni, o procurador-geral, Mohammad Movahedi Azad, e a juíza presidente Iman Afshari. “A repressão não pode ficar sem resposta”, referiu a líder da diplomacia europeia, Kaja Kallas, defendendo que “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda”..Trump avisa Irão que “o próximo ataque será pior” do que o de junho. Teerão já respondeu.Um mês de protestos no Irão. ONU denuncia dezenas de milhares de mortos. Regime fala em 3000