O comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, general Oleksandr Syrskyi, negou esta segunda-feira, 20 de julho, os relatos de um conflito com o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, de 35 anos, garantindo que as discussões entre ambos faziam parte do trabalho institucional normal em tempo de guerra. Uma declaração que surge no meio de protestos populares a pedir a sua demissão, que estará a ser considerada por Volodymyr Zelensky, e a reintegração de Fedorov no governo.“É o trabalho árduo, e não o drama público em torno dele, que ganha a guerra”, escreveu Syrskyi. “A Ucrânia é maior do que Fedorov, Syrskyi ou qualquer um de nós. Reduzir esta guerra a um confronto entre dois indivíduos é o maior favor que poderíamos fazer ao inimigo”, prosseguiu o líder militar ucraniano num artigo publicado esta segunda-feira no site Militarny. Garantindo nada ter contra a crescente dependência das forças armadas em relação aos drones - e notando que tinha dado início às Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia - Syrskyi criticou reformas de Fedorov nos contratos militares, alertando que muitos soldados ficaram desmotivados por esperarem condições diferentes.Estas declarações - as primeiras feitas por Syrskyi sobre este tema - surgem dias depois de Volodymyr Zelensky ter demitido na quinta-feira Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa, causando protestos diários em Kiev e outras cidades ucranianas, pedindo a reintegração de um e o afastamento do outro. Em causa estarão, alegadamente, divergências sobre o estilo de liderança militar - Fedorov com uma visão mais reformista e Syrskyi, de 60 anos, a defender uma estrutura de comando altamente centralizada, na linha da doutrina militar soviética.De acordo com fontes ouvidas pelo Kyiv Independent, Zelensky estará a avaliar uma decisão sobre a possível demissão de Syrskyi, prevista possivelmente para os próximos dias. Ontem, o presidente ucraniano esteve reunido com alguns dos principais comandantes militares da Ucrânia para tentar amenizar o crescente descontentamento com a liderança da defesa, segundo noticiou a Reuters. Os rumores sobre a alegada demissão do general Oleksandr Syrskyi espalharam-se rapidamente esta segunda-feira, mas a liderança militar ucraniana desmentiu a informação. “As informações que circulam no espaço informativo, incluindo nas redes sociais e em certos órgãos de comunicação social, sobre a alegada demissão do comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, General Oleksandr Syrskyi, não são verdadeiras”, referia um comunicado do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, lembrando ainda que esta destituição só poderá ocorrer com base num decreto emitido pelo presidente.A remodelação governamental que levou à saída de Fedorov começou pela destituição da primeira-ministra Yulia Svyrydenko, entretanto substituída por Serhii Koretskyi, ex-CEO da empresa estatal de petróleo e gás Naftogaz. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou ter falado ontem pela primeira vez com Koretskyi, tendo-se comprometido “a cooperar estreitamente nas reformas que impulsionam o processo de adesão da Ucrânia à UE”. Já Koretskyi prometeu que Kiev irá avançar com as reformas necessárias, contando “com a contínua unidade da União Europeia no apoio à Ucrânia e com novos progressos nas negociações de adesão”..Afastamento do ministro da Defesa leva ucranianos às ruas. Irá Zelensky ceder?.Zelensky anuncia remodelação ministerial e substitui primeira-ministra da Ucrânia