Cole Allen, o homem de 31 anos acusado de tentar assassinar o presidente Donald Trump durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, revelou às autoridades federais que planeou o ataque acreditando que morreria no local.De acordo com notícia da NBC News, a revelação foi feita por procuradores federais durante uma audiência judicial esta segunda-feira, 4 de maio, sublinhando a natureza premeditada e potencialmente suicida do incidente ocorrido a 25 de abril.Durante a audiência perante o juiz Zia Faruqui, a procuradora assistente Jocelyn Ballantine informou o tribunal de que Allen admitiu explicitamente ao FBI não ter qualquer expetativa de sobrevivência."Ficou claro que ele não esperava sobreviver, o que justifica a nossa preocupação inicial com o risco de suicídio", afirmou Ballantine, em declarações citadas por aquele canal norte-americano.Allen, um professor e engenheiro natural da Califórnia, apareceu em tribunal envergando o uniforme cor de laranja da prisão. O arguido enfrenta agora uma acusação formal de tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos, crime que pode resultar numa sentença de prisão perpétua.Condições de detenção debatidasA audiência centrou-se também nas condições em que Allen está a ser mantido na prisão de Washington D.C. A defesa, representada por defensores públicos federais, queixou-se de que o arguido foi inicialmente colocado numa cela acolchoada, sob vigilância constante de 24 horas e com iluminação ininterrupta, medidas típicas de prevenção de suicídio.O juiz Faruqui expressou preocupação com o rigor destas condições, questionando os responsáveis prisionais sobre por que razão um arguido que ainda aguarda julgamento estaria sujeito a restrições mais severas do que reclusos já condenados por homicídio.O magistrado garantiu que Allen terá acesso a uma Bíblia, aos seus documentos legais e a uma dieta vegana, afirmando: "Se conseguimos arranjar comida vegana para alguém, também conseguimos arranjar-lhe uma Bíblia".O caso ocorreu na noite de 25 de abril de 2026 (já madrugada de 26 em Lisboa), quando Cole Allen terá tentado forçar a entrada no local do prestigiado jantar da imprensa de Washington. Imagens de videovigilância libertadas pelas autoridades mostram o suspeito a carregar através de um detetor de metais e a apontar uma caçadeira contra os agentes de segurança.Embora um agente do Serviço Secreto tenha disparado contra Allen, este não foi atingido. Contudo, um dos agentes sofreu ferimentos ligeiros após um projétil disparado pela arma de Allen ter ficado incrustado no seu colete à prova de bala. Segundo os procuradores, Allen estava disposto a atingir "qualquer pessoa que se atravessasse no seu caminho".O juiz Faruqui aproveitou a sessão para traçar um paralelo com o clima de violência política nos EUA, recordando o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio: "Muitas pessoas parecem ter esquecido o 6 de janeiro, mas eu não. Os perdões podem apagar condenações, mas não apagam a história."