Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer
Primeiro-ministro britânico, Keir StarmerEPA/ANDY RAIN

Starmer quer que Abramovich entregue valor da venda do Chelsea à Ucrânia. Caso contrário avança para tribunal

O aviso foi dado pelo primeiro-ministro britânico ao anunciar que deu instruções para a transferência de 2,5 mil milhões de libras da venda do Chelsea para apoiar causas humanitárias na Ucrânia.
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O primeiro-ministro britânico exige que o magnata russo Roman Abramovich entregue o valor pelo qual vendeu o Chelsea à Ucrânia, caso contrário, o Reino Unido irá avançar para uma ação judicial, avisou esta quarta-feira, 17 de dezembro.

A posição de Keir Starmer foi dada a conhecer na Câmara dos Comuns, onde anunciou que deu instruções para os procedimentos que têm como objetivo a transferência de 2,5 mil milhões de libras (cerca de 2,8 mil milhões de euros) da venda do Chelsea, em maio de 2022, para apoiar causas humanitárias na Ucrânia.

"Posso anunciar que estamos a emitir uma licença para transferir 2,5 mil milhões de libras da venda do Chelsea que está congelada desde 2022", afirmou Starmer.

Perante os deputados, o primeiro-ministro deixou um aviso ao bilionário russo, que também tem a nacionalidade portuguesa - ao abrigo de um regime que abrangia descendentes de judeus sefarditas portugueses. "A minha mensagem para Abramovich é esta: o tempo está a passar, honre os compromissos que assumiu e pague agora."

Caso Roman Abramovich não o faça, irá enfrentar a justiça britânica, prometeu Keir Starmer. "Estamos preparados para ir para tribunal, para que cada cêntimo chegue àqueles cujas vidas foram destruídas pela guerra ilegal de Putin", argumentou o primeiro-ministro, citado pelos media britânicos.

O The Guardian explica que Abramovich, alvo de sanções devido à guerra levada a cabo pela Rússia, vendeu o emblema inglês em 2022 numa altura em que estava sob pressão do governo britânico, na sequência da invasão russa da Ucrânia. Obteve uma licença do Governo para vender o clube, desde que o valor do negócio tivesse como destino as vítimas da guerra na Ucrânia, em curso há quase quatro anos.

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Abramovich coloca Chelsea à venda e vai doar lucros às vítimas da Ucrânia

Desde essa altura que o dinheiro está congelado "devido a um impasse nas negociações com Abramovich sobre se o dinheiro deve ser gasto exclusivamente na Ucrânia ou se também pode ser utilizado fora do país", escreve o jornal britânico.

Agora o Executivo liderado por Starmer exige que essa verba seja libertada para ajudar os ucranianos.

A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, disse ser “inaceitável que mais de 2,5 mil milhões de libras devidos ao povo ucraniano permaneçam congelados numa conta bancária no Reino Unido” e que "está na hora de Roman Abramovich pagar".

"Este dinheiro foi prometido à Ucrânia há mais de três anos”, afirmou, por sua vez, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper. "Já é tempo de Roman Abramovich fazer a coisa certa, mas se não o fizer, nós agiremos”, prometeu a governante, também citada pelo The Guardian. “É por isso que a licença foi emitida", explicou a ministra, realçando que já é tempo de o dinheiro ser "utilizado para reconstruir as vidas das pessoas que viram a devastação resultante da guerra ilegal de Putin”.

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