O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou esta quarta-feira, 1 de abril, que a instabilidade global provocada pela guerra com o Irão significa que o Reino Unido deve dar prioridade ao reforço dos laços económicos e de defesa com a Europa, sublinhando que este será o ponto central de uma cimeira com a União Europeia no verão.“Continuaremos a defender os interesses nacionais britânicos e a fazer tudo o que for necessário para conduzir o nosso país com serenidade através desta tempestade. Contudo, torna-se cada vez mais evidente que, à medida que o mundo continua a trilhar este caminho instável, os nossos interesses nacionais a longo prazo exigem uma parceria mais estreita com os nossos aliados na Europa e com a União Europeia”, declarou Starmer numa conferência de imprensa em Downing Street. Para o líder trabalhista, Londres está empenhado em aprofundar a sua relação com os parceiros europeus - fala mesmo em reformulação “ambiciosa” das relações - e desfazer alguns dos “danos profundos” causados pelo Brexit. Mas deixou claro que não faz parte dos seus planos voltar a fazer parte da união aduaneira da UE ou do seu mercado único, apesar de admitir que “tem a ambição de que possamos fazer mais em relação ao mercado único, porque penso que isso é extremamente do nosso interesse económico”, numa possível alusão ao alinhamento com as normas comunitárias, facilitando assim as trocas comerciais entre os dois lados. “Obviamente, trata-se de uma questão de negociação e discussão com a UE. Mas a cimeira que teremos este ano não será apenas de balanço onde analisaremos os 10 eixos que implementámos no ano passado. Será uma ambição deliberada da nossa parte ir mais longe e cooperar mais profundamente, incluindo na esfera económica”, sustentou Keir Starmer. Esta maior aproximação à Europa não é, segundo o líder britânico, uma escolha que Londres esteja a fazer entre estes aliados e os Estados Unidos, apesar de ter sido alvo nas últimas semanas de críticas (e insultos) por parte de Donald Trump - o norte-americano chamou-lhe cobarde por não se juntar à guerra contra o Irão, dizendo que “não era um Winston Churchill” e classificando os porta-aviões britânicos como “brinquedos”. “Não vou escolher, porque acho que é do nosso interesse ter uma relação forte com os EUA e com a Europa. Mas acredito que, em matéria de defesa e segurança, emissões de carbono e economia, precisamos de uma relação mais forte com a Europa”, sustentou Starmer. “Na verdade, penso que isto ajudará a fortalecer a nossa relação com os EUA, porque os sucessivos presidentes têm afirmado que a Europa precisa de fazer mais em termos de defesa e segurança”. .Tensão entre Washington e Londres prossegue por causa do Irão.Debaixo de fogo, Starmer recorre à família real para aplacar Trump