O “não à guerra” do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, está a ter repercussões nas sondagens, com os socialistas a subir à custa dos aliados mais à esquerda e, numa das pesquisas conhecidas esta segunda-feira (6 de abril), a encurtar a sua distância para o Partido Popular (PP). A formação de Alberto Núñez Feijóo segue à frente dos barómetros dos jornais El País e El Mundo, que colocam o Vox em queda, mas continua dependente da extrema-direita para governar. A sondagem do 40dB para o El País e para a Cadena Ser dá o PP com 31,1% das intenções de voto, com o PSOE a ficar nos 28,6%. Ambos os partidos sobem 0,9 pontos em relação à sondagem do início de março. O Vox cai uma décima, dos 18,8% para os 18,7%, travando o crescimento quase constante desde as eleições de julho de 2023 (continua a ser o único partido com intenções de voto acima do resultado da ida às urnas). O Sumar, aliado do PSOE no Governo, também cai 0,1 pontos para os 5,8%, enquanto o Podemos cai 0,6 pontos para os 2,7%. A queda do Vox é mais acentuada na sondagem da Sigma Dos para o El Mundo. O partido de Santiago Abascal, envolto em várias lutas internas e em pleno choque nas negociações com o PP para a formação de governos regionais, cai 1,2 pontos num mês - de 18,3% para 17,1%. .Luta interna no Vox opõe Abascal ao militante n.º 6.As críticas ao “não à guerra” de Sánchez, que fechou o espaço aéreo espanhol aos aviões militares dos EUA com destino ao Irão e tem criticado o presidente Donald Trump, também não devem ter ajudado o Vox, com as sondagens a dizer que 85% dos espanhóis são contra a guerra. Neste barómetro, o PSOE é o que mais cresce, passando dos 26,4% para os 27,7% (mais 1,3 pontos), aproximando-se do PP que sobe só 0,6 pontos para os 32,5%. À esquerda, o Sumar cai 0,7 pontos, ficando-se nos 7,7%, enquanto o Podemos perde 0,6 pontos, não indo além dos 3,5%. .CIS contradiz todas as sondagens e põe PSOE 9,7 pontos à frente do PP.Uma boa notícia para Sánchez, que também se vangloriou esta segunda-feira nas redes sociais da criação de mais de 200 mil empregos no melhor março de que há registo, ultrapassando os 22 milhões de inscritos na Segurança Social - à boleia das contratações do setor do turismo para a época da Páscoa (80 mil desses novos empregos são na área de hotelaria). . O fim do bipartidarismo foi declarado em Espanha em 2015-2016, com a irrupção do Podemos (à esquerda) e do Ciudadanos (à direita). E mais tarde do Vox (extrema-direita). Nas eleições de 2023, PP e PSOE conseguiram 64% dos votos e falou-se do regresso do bipartidarismo (em 2019 não tinham chegado aos 50% e aos 12 milhões). Mas o crescimento da extrema-direita, que está de olho nos 20%, deixa dúvidas sobre o que se poderá esperar na próxima ida às urnas, prevista só para o próximo ano. Será que o travão ao Vox, registado nestas duas sondagens, vai continuar nas próximas? E o que isso significa para o facto de o PP, apesar de estar a subir, ainda estar longe (tal como o PSOE) de uma maioria absoluta e continuar a depender do partido de Abascal para governar?As eleições autonómicas dos últimos quatro meses - começaram em dezembro na Extremadura, seguiram em Aragão em fevereiro e depois em Castela e Leão em março - mostraram um cenário de vitória do PP, sem maioria e dependente de um Vox reforçado (e ainda não há acordos de governação). .Espanha. PP ganha em Aragão, mas volta a ficar dependente do Vox para governar.O PSOE sofreu fortes reveses nas duas primeiras comunidades, tendo conseguido aguentar-se em Castela e Leão (Sánchez já usou o “não à guerra” na campanha). O Vox também já não subiu tanto quanto era esperado, deixando antever os primeiros problemas. As eleições na Andaluzia, a 17 de maio, serão um novo teste. Não só ao PP, ao PSOE e ao Vox, mas à esquerda, com Sumar, Esquerda Unida e Podemos (e outras formações regionais) a avançar para uma aliança (que não existiu nas outras comunidades). É uma antesala ao que alguns querem que aconteça nas próximas legislativas, apesar de a aliança das eleições de 2023 se ter rompido. Ainda há desafios, com o ex-líder do Podemos Pablo Iglesias a criticar o pacto.