O primeiro-ministro espanhol compareceu esta quarta-feira, 24 de junho, no Congresso dos Deputados para dar explicações sobre as investigações judiciais que têm afetado o PSOE, e consequentemente o seu governo, tendo rejeitado a proposta do Junts per Catalunya para que se demita e permita a nomeação de outro candidato. “Não façam propostas indefensáveis para inglês ver”, disse Pedro Sánchez à porta-voz do Junts, Míriam Nogueras. “Se querem apresentar uma moção de censura junto do Partido Popular e do Vox, que a apresentem, mas não recorram a subterfúgios”. Também o Partido Popular, que tem repetidamente desafiado os partidos que apoiam o governo no Congresso a apresentarem uma moção de censura, voltou questionar o Junts, ao mesmo tempo criticando o partido independentista catalão de ter apoiado a investidura de Pedro Sánchez. “Deveríamos derrubar este governo com um voto de desconfiança. Para mim, hoje mesmo”, disse o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, que, atualmente, não tem apoio suficiente para aprovar a moção. “Membros dos Junts, nem sequer o apoiam! Tudo o que fizeram foi torná-lo primeiro-ministro de Espanha! Nem sequer o apoiam!”.Já sobre o primeiro-ministro, Feijóo declarou que este não se demite “porque não tem dignidade” e defendeu-se das acusações de Pedro Sánchez, que antes o havia criticado por “tolerar e usar” a corrupção em benefício próprio. “A minha carreira não foi financiada por nenhum magnata da prostituição. Ninguém meteu na cadeia nenhum número dois do meu partido, nem ninguém da minha equipa foi investigado ou julgado”, afirmou o líder da oposição.Na sua intervenção inicial, Pedro Sánchez reconheceu “um caso flagrante e grave de corrupção” com antigos dirigentes do PSOE, que disse desconhecer e que “nunca teria tolerado”, numa referência ao ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, condenado esta semana a mais de 24 anos de prisão por corrupção com a compra de máscaras durante a pandemia, quando ainda estava no governo.O primeiro-ministro sublinhou ainda que o PSOE e o governo atuaram “desde o primeiro minuto” perante suspeitas de corrupção que envolviam ex-dirigentes, nomeadamente com a suspensão e expulsão do partido ou pondo em marcha medidas “de supervisão e prevenção” da corrupção. E voltou a separar os casos que envolvem ex-dirigentes do PSOE dos da mulher e do irmão, Begoña Gómez e David Sánchez, respetivamente, que considera serem vítimas de “uma série de ações” para enfraquecer o governo e o próprio primeiro-ministro..Cerco a Sánchez aperta após condenação de antigo número dois.Espanha. PP aprova moção contra o governo em dia de buscas na sede do PSOE.Espanha. Aliados aumentam pressão sobre Pedro Sánchez