Sánchez anuncia visita do rei a Ceuta e Melilla e diz não haver provas de que Marrocos provocou crise
Pedro Sánchez anunciou esta quinta-feira, 3 de setembro, que o rei Felipe VI visitará Ceuta e Melilla "nas próximas semanas".
A visita do monarca vai transmitir "o compromisso absoluto do Estado" espanhol com as duas cidades autónomas, sublinhou o primeiro-ministro durante o seu discurso ao Congresso sobre a crise em Ceuta.
Esta será a primeira viagem oficial de Felipe VI a Ceuta e Melilla, quase 20 anos depois da visita do pai, Juan Carlos, que desencadeou uma crise diplomática com Marrocos.
Também em declarações perante o Congresso, Pedro Sánchez sublinhou que "não há provas" de que o fluxo maciço de migrantes para Ceuta a 30 de julho tenha sido "ou orquestrado" pelas autoridades marroquinas.
O líder do executivo espanhol afirmou que, se o governo tivesse provas "sólidas", agiria "em conformidade, com força absoluta, conforme a situação o exigir", e insistiu que só agirá com base em "factos comprovados e verificados", lembrando a Guerra do Iraque, que levou Espanha a participar "numa guerra ilegal com provas fabricadas".
Ainda assim, reconheceu que "é evidente que, após o sucedido", a "cooperação" com Marrocos "precisa de ser diferente", estando a ser revistos todos os "mecanismos de coordenação e alerta" que o Governo mantém com o Estado marroquino para "construir garantias adicionais".
Sánchez reiterou também que o Governo não recebeu qualquer relatório ou nota diplomática que antecipasse "a dimensão ou a probabilidade" do fluxo maciço de migrantes que ocorreu em Ceuta no final de julho.
Nenhum dos relatórios dos dias anteriores "foi além da descrição dos dados ou da emissão de alertas de rotina", insistiu, com a intenção de refutar "rumores".
Sánchez informou ainda que o Governo espanhol convocou a embaixadora de Marrocos em Espanha, Karima Benyaich, a 21 de agosto a propósito das declarações "inaceitáveis" feitas por dois ministros marroquinos sobre Ceuta e Melilla.
Em causa os ministros da Justiça, Abdellatif Ouahbi, e dos Assuntos Islâmicos, Ahmed Toufiq, que reivindicaram a soberania ou a libertação de Ceuta e Melilla, declarações consideradas "inaceitáveis" pelo Governo de Sánchez.

