Israel voltou a bombardear o sul de Beirute, pondo fim a seis dias de acalmia, enquanto ataques a Nabatieh e a Qana mataram respetivamente o presidente da câmara e o comandante local do Hezbollah, entre 31 mortos e mais do dobro de feridos. Enquanto o primeiro-ministro libanês criticou o silêncio da comunidade internacional, o ministro da Defesa israelita Yoav Gallant disse que as negociações para uma trégua só acontecerão “sob fogo”. A capacidade da administração Biden de influenciar o desenrolar das operações militares israelitas ficou mais uma vez em dúvida. Depois de Washington ter dito que se opunha ao bombardeamento de Beirute, esta voltou a ser sobrevoada por aviões de combate. Segundo as forças israelitas, o alvo foi um armazém subterrâneo onde estavam guardadas “armas estratégicas” e que, antes do ataque, “foram tomadas muitas medidas para reduzir a possibilidade de ferir civis, incluindo avisos prévios à população da área”. Mais a sul, as forças israelitas dizem ter atacado Jalal Mustafa Hariri, o comandante do movimento pró-iraniano de Qana num ataque que destruiu vários edifícios e matou, pelo menos, 15 pessoas. Em Nabatieh, edifícios municipais da cidade foram atingidos. Em consequência morreram 16 pessoas, entre elas elementos da autarquia e o presidente Ahmad Kahil. O primeiro-ministro libanês acusou Telavive de ter atacado de forma deliberada uma reunião municipal em que se discutiam os serviços de socorro na cidade. “Esta nova agressão, juntamente com todos os crimes cometidos pelo inimigo israelita contra civis, é um sinal de que o mundo está deliberadamente em silêncio sobre os crimes da ocupação”, afirmou Najib Mikati. Mais tarde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros apresentou nova queixa contra Israel junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas pela violação da soberania e por atacar soldados libaneses. Do Departamento de Estado norte-americano, o seu porta-voz Matthew Miller limitou-se a dizer que os EUA estavam em contacto com o Governo de Netanyahu devido ao raid em Nebatieh e que o seu país não quer ver edifícios civis a serem destruídos. Miller acusou o Hezbollah de visar edifícios de uso civil. Horas depois de os 16 ministros da Defesa de países da UE com tropas destacadas na missão da ONU no Líbano (UNIFIL) terem “condenado vigorosamente” os ataques israelitas a capacetes azuis e dito que vão “exercer a máxima pressão política e diplomática sobre Israel” para evitar novos “incidentes”, a UNIFIL relatou mais um “incidente”. Desta vez a missão acusa um tanque israelita de ter disparado contra uma torre de vigia da força de manutenção de paz em Kfar Kela, tendo destruído duas câmaras e danificado a torre. Israel Katz, chefe da diplomacia israelita, elogiou a “grande importância” da UNIFIL, em especial “no dia a seguir à guerra contra o Hezbollah”. cesar.avo@dn.pt