O secretário do Comércio dos Estados Unidos aceitou testemunhar perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre a sua relação com Jeffrey Epstein, de quem era vizinho em Nova Iorque. Tal como aconteceu com Bill e Hillary Clinton no final da passada semana, a audição será à porta fechada, sendo a sua transcrição ou vídeo divulgada uns dias depois. Ainda não foi marcada uma data, mas, segundo vários media dos EUA, será ouvido nas próximas semanas. “Aguardo com expectativa a minha oportunidade de comparecer perante a comissão. Não fiz nada de errado e quero esclarecer os factos”, disse Lutnick ao Axios. “O secretário Lutnick concordou proativamente em comparecer voluntariamente perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara. Louvo o seu compromisso demonstrado com a transparência e agradeço a sua disponibilidade para colaborar com a comissão”, afirmou, por seu turno, o congressista republicano James Comer, que preside à referida comissão.Até ao momento, e além de Donald Trump, Howard Lutnick é o membro mais destacado da atual Administração com relações conhecidas com Jeffrey Epstein, embora não tenha sido atribuída a nenhum deles qualquer ilegalidade. A relação de Lutnick com Jeffrey Epstein, em concreto, tem sido alvo de crescentes críticas devido às versões díspares que o secretário do Comércio de Donald Trump tem apresentado. Numa entrevista que deu a um podcast do New York Post em outubro, Lutnick contou que depois de ver a assustadora “sala de massagens” durante uma visita à casa de Epstein em Nova Iorque em 2005, de quem era vizinho, “a minha mulher e eu decidimos que nunca mais entraria naquela sala com aquela pessoa repugnante”.No entanto, documentos revelados já este ano pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram uma versão diferente. O membro da administração Trump voltou a encontrar-se com Epstein na casa do criminoso sexual em 2011 e, em 2012, a família Lutnick almoçou com Epstein na sua ilha privada nas Caraíbas, e comunicaram durante anos depois do encontro em 2005 de que tinha falado.De referir que os encontros ocorreram anos depois da primeira condenação por crimes sexuais de Epstein, em 2008, pela qual cumpriu 13 dos 18 meses de prisão aos quais foi sentenciado. Lutnick disse ainda que os dois homens trocaram apenas cerca de 10 emails e encontraram-se três vezes ao longo de 14 anos, contrariando a sua versão inicial de apenas um encontro em Nova Iorque, mas também o que disse no Senado há menos de um mês. “Não tinha qualquer relação com ele. Mal tive contacto com essa pessoa”, referiu perante a Comissão de Orçamento do Senado, a 10 de fevereiro, onde explicou que visitou a ilha de Epstein em 2012 com a mulher, os quatro filhos e amas. “Não me lembro por que razão o fizemos”. Antes havia falado que estava num barco próximo da ilha durante umas férias familiares. Donald Trump tem apoiado publicamente o seu secretário do Comércio, face às várias inconsistências da sua relação com Epstein, mas também aos crescentes pedidos dos democratas para que se demita. “Howard iria lá e diria o que tivesse a dizer. É um tipo muito inocente, a fazer um bom trabalho”, disse o presidente na sexta-feira, após vários democratas e republicanos da Comissão de Supervisão terem dito que iriam convocar Lutnick para testemunhar. .Bill Clinton diz que Trump lhe falou sobre “grandes momentos" passados com Epstein