Rússia lança um dos maiores ataques diurnos com mais de 400 drones
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Rússia lança um dos maiores ataques diurnos com mais de 400 drones

Os ataques russos provocaram esta terça-feira pelo menos quatro mortos e deixaram 35 feridos, indicaram as autoridades ucranianas.
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A Rússia lançou esta terça-feira, 24 de março, um dos seus maiores ataques diurnos contra a Ucrânia, com mais de 400 drones, depois de uma noite já marcada por grandes bombardeamentos, informou o porta-voz da Força Aérea ucraniana.

"Já lançaram mais de 400 drones" desde as 09:00 locais, segundo Yuriy Ignat, em declarações à agência France-Presse (AFP), descrevendo “uma escala sem precedentes” de ataques à luz do dia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.

Os ataques russos provocaram esta terça-feira pelo menos quatro mortos e deixaram 35 feridos, indicaram as autoridades ucranianas.

A Rússia já tinha disparado 23 mísseis de cruzeiro e sete mísseis balísticos contra a Ucrânia durante a noite, atingindo pelo menos 10 locais em todo o país, relatou a Força Aérea.

Os ataques prosseguiram durante o dia em várias regiões do país, incluindo na capital, Kiev.

Pelo menos 13 pessoas, incluindo três crianças, ficaram feridas na cidade de Dnipro, na Ucrânia central, e outro bombardeamento atingiu um prédio de apartamentos no centro da cidade de Lviv, no oeste do país, onde duas pessoas ficaram gravemente feridas, disseram as autoridades regionais.

“Estes números mostram claramente que é necessária mais proteção para salvar vidas contra os ataques russos. É importante continuar a apoiar a Ucrânia. É importante que todos os acordos sobre defesa aérea sejam implementados atempadamente. E é importante que a Europa seja capaz de produzir o número necessário de mísseis de defesa aérea para se proteger contra quaisquer ameaças”, comentou esta terça-feira o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na rede social Telegram.

Ao mesmo tempo, as forças de Moscovo estão a intensificar as operações para romper as defesas ucranianas da linha da frente, no que pode ser o início de uma esperada ofensiva terrestre durante a primavera.

O comandante das forças armadas da Ucrânia, general Oleksandr Syrskyi, indicou que as tropas russas fizeram tentativas simultâneas, nos últimos dias, para romper as linhas defensivas em várias áreas estratégicas.

“Combates ferozes ocorreram ao longo de toda a linha de contacto”, disse Syrskyi na segunda-feira, com a Rússia a lançar 619 ataques em quatro dias e a destacar novas unidades para o terreno, enquanto a Ucrânia enviou reforços para conter estas vagas de assalto.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um ‘think tank’ (grupo de reflexão) sediado em Washington que monitoriza as evoluções do campo de batalha desde o início da guerra, considerou na segunda-feira que a ofensiva russa de primavera-verão já está em curso.

Moscovo intensificou os seus ataques a partir de 17 de março e deslocou equipamento pesado e mais tropas para a linha da frente, segundo o ISW.

Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados unidos e Israel contra o Irão, enviados ucranianos voltaram a encontrar-se no sábado com representantes norte-americanos para tentar relançar as negociações com Moscovo, que estão paradas há várias semanas.

A última ronda trilateral foi realizada em Genebra em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.

A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito.

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