A representante de Taiwan em Portugal considera que "a Europa e Portugal deviam preocupar-se com o que acontece em Taiwan”.Num debate promovido pelo Instituto Benjamin Franklin no Grémio Literário, em Lisboa, Grace Chang diz que a pequena nação insular pretende ser vista "como um parceiro de confiança e com os mesmos valores que a União Europeia”.“A União Europeia é a terceira maior parceira comercial de Taiwan e o investimento de Taiwan na Europa está a crescer muito. Isto não aconteceu por acaso. Taiwan e Europa partilham valores e interesses”, reiterou, num debate moderado pelo diretor do DN, Filipe Alves, e que teve igualmente como oradores almirante Silva Ribeiro (ex-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas), António Mendonça (bastonário da Ordem dos Economistas), Patrick Siegler-Lathrop (presidente do American Clube of Lisbon), Tsutomo Nakagawa (embaixador do Japão em Portugal) e Germano Almeida (especialista em geopolítica).Grace Chang diz que "a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan afetam a economia mundial e lembra que a "indústria de alta tecnologia e de semicondutores depende da produção de Taiwan". "Taiwan produz 65% dos semicondutores mundiais”, frisou.A representante de Taiwan em Portugal diz que as exportações da ilha "cresceram 25 por cento em 2025 com o boom da inteligência artificial (IA)", o que levou a capitalização da bolsa de Taiwan a ultrapassar a da Índia, tornando-se na "quinta mundial devido ao Boom da IA”.Na recente visita do presidente dos Estados Unidos à China, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse ter falado muito com o homólogo chinês, Xi Jinping, sobre Taiwan, uma questão ultrassensível nas relações sino-americanas.Após romper relações diplomáticas com Taipé e estabelecer relações com Pequim em 1979, os Estados Unidos promulgaram a Lei das Relações com Taiwan, que serve de base legal para o fornecimento de armamento defensivo à ilha.Desde então, Washington aprovou múltiplas vendas de armamento a Taipé, incluindo um pacote de material bélico avaliado em 11,1 mil milhões de dólares (9,56 mil milhões de euros), anunciado em dezembro passado.Embora a venda de armas a Taiwan se insira no âmbito da jurisprudência norte-americana, outras administrações, como a de Barack Obama, suspenderam as vendas de forma estratégica quando existiam tensões com Pequim.Taipé, que conta atualmente com apenas doze aliados diplomáticos, depende em grande medida do armamento norte-americano para dissuadir uma possível agressão por parte da China, que considera a ilha como parte inalienável do seu território e não descartou o uso da força para assumir o seu controlo.Embaixador japonês defende que "Japão e Portugal deviam colaborar mais em várias áreas"No mesmo debate, o embaixador japonês salientou que "Portugal e Japão estão muito distantes", mas partilham algo "muito importante", o facto de serem "países marítimos" e estarem "ligados ao resto do mundo pelo mar", pelo que defende que "Japão e Portugal deviam colaborar mais em várias áreas, incluindo na proteção marítima".Tsutomo Nakagawa confessou que, quando chegou a Portugal, no ano passado, ficou "muito admirado com o facto de muitos portugueses acreditarem de forma convicta de que política e economia devem ser tratadas de forma diferente".Sobre a China, o diplomata diz não ter "a intenção de aumentar as preocupações com a China". "De facto, o Japão, tal como outros países, tem sido alvo de formas de pressão económica. Mas por outro lado a China é o nosso principal vizinho e a nossa economia está muito ligada ao mercado chinês”, vincou."A minha mensagem é separar a economia da política pode tornar-se um grande risco. É por isso que acreditamos que a segurança económica é muito importante. No Japão, há duas ideias-chave neste momento: autonomia estratégica. Para não depender de nenhum país em demasia, sobretudo em áreas críticas. A segunda ideia é sermos cada vez mais importantes para as outras partes. Isto é cada vez mais importante para o Japão e outros países", acrescentou, referindo que o "objetivo não é separar o mundo em blocos separados mas tornar o sistema mais resiliente a choques externos".