Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil com mais de 64 milhões de votos.
Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil com mais de 64 milhões de votos.Foto: EPA/SEBASTIAO MOREIRA

Quarto governo de Lula quer reunir experiência, renovação e fidelidade

Nomes históricos, como Haddad, Camilo, Rui Costa, Tebet ou Gleisi, são especulados. Mas também os de jovens vencedores das eleições de outubro. E, claro, os de representantes do poderoso “centrão”.
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Montar um governo no Brasil é uma das tarefas mais sensíveis da política mundial e Lula da Silva, que vai para o quarto da carreira, sabe-o. Por isso impôs-se apenas o dia 20 de dezembro, daqui a mais de mês e meio, para montar o complexo puzzle do chamado “Lula 4”, um executivo repleto de desafios económicos, já com um 2027 exigente em perspectiva, e políticos, em virtude da vitória da direita bolsonarista nas corridas para o Congresso. 

O presidente reeleito deve equilibrar nomes experientes com talentos jovens. E conciliar o peso do Partido dos Trabalhadores, a que pertence, com as demais forças de esquerda da coligação vencedora no dia 25 de outubro. Além de combinar a presença dessa esquerda com os partidos do chamado “centrão”, as forças do centro e até da direita conservadora disponíveis a votar a favor do governo no parlamento desde que contempladas com ministérios. 

Pelo meio, quer premiar quadros da região Nordeste, mais uma vez decisiva na vitória, sem prescindir da região Sudeste, onde está a maioria dos votos. E também se vê obrigado a acolher candidatos derrotados nas eleições com as novas estrelas do progressismo que nasceu das ruas e das redes. 

Fernando Haddad, o eterno joker de Lula, é simultaneamente histórico, do influente Sudeste e derrotado, na corrida ao governo de São Paulo, das eleições. Nessa tripla qualidade é especulado para a Casa Civil, espécie de ministério dos Assuntos Parlamentares, para a Fazenda, onde já esteve no governo passado, para a Educação, pasta em que se destacou nos primeiros governos de Lula, e para as Relações Exteriores e Justiça.

Outro peso pesado do lulismo é Camilo Santana, ex-governador do Ceará, que disputa com Haddad e com a atual interina Miriam Belchior a Casa Civil e a recém formada pasta da Segurança Pública com Lincoln Gakiya, um especialista na guerra contra as organizações criminosas mas inexperiente na política nacional. Aos veteranos Rui Costa, ex-governador baiano e ministro da Casa Civil de Lula 3, e ao próprio vice-presidente Geraldo Alckmin também devem ser atribuídas pastas politicamente desafiadoras. 

Continuando entre “históricos”, Marina Silva deve suceder a si mesma no Ambiente, enquanto Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT, Guilherme Boulos, candidato presidencial em 2018 e a prefeito de São Paulo em 2024 com boas votações, disputam o estratégico ministério do Desenvolvimento Social com o ex-governador Wellington Dias, atual titular. 

Simone Tebet, terceira classificada na presidencial de 2022, titular do Planeamento no governo anterior e derrotada na corrida ao Senado este ano, é falada para Defesa mas, sendo jurista, também para uma vaga no Supremo. 

Entre as estrelas em ascensão, destaque para Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí que pode trocar o estado pelo nevrálgico ministério da Fazenda, hoje sob o comando de Dario Durigan, que sucedeu a Haddad. E para o jovem João Campos, filho de Eduardo Campos, candidato presidencial falecido em desastre de avião em 2014, que perdeu a eleição para o governo de Pernambuco mas pode ganhar oportunidade na Ciência e Tecnologia.

Finalmente, André Janones, criador do decisivo “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que superou a influência digital da direita, é falado para a Comunicação.         

Entretanto, Helder Barbalho, do MDB, deve integrar o governo para assegurar votos do partido de Michel Temer que se divide entre lulistas, como Barbalho, e bolsonaristas, como Temer. O PSD, oficialmente neutral, será seguramente representado no executivo.

E União Brasil, PP e Republicanos, partidos conservadores de direita que não se manifestaram na primeira volta mas optaram pelo filho de Bolsonaro na segunda, também.

Na intrincada política brasileira, Sílvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos de Lula 3, deve continuar no governo mesmo sendo do Republicanos, o partido de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo que seguramente se candidatará à presidência contra o sucessor de Lula em 2030. 

O objetivo de Lula ao acomodar partidos de direita no governo é trocar generosidade executiva por generosidade legislativa – se MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos garantirem apoio parlamentar, o executivo somará cerca de 350 deputados e 45 senadores potencialmente aliados, superando o PL de Bolsonaro, maior partido em ambas as casas.  

PASTAS E PRETENDENTES

CASA CIVIL

Camilo Santana, Miriam Belchior, Fernando Haddad

FAZENDA

Geraldo Alckmin, Rafael Fonteles, Dário Durigan, Fernando Haddad

DEFESA

Geraldo Alckmin, Simone Tebet

RELAÇÕES EXTERIORES

Fernando Haddad

JUSTIÇA

Fernando Haddad 

EDUCAÇÃO

Fernando Haddad

SEGURANÇA PÚBLICA

Lincoln Gakiya, Rui Costa, Camilo Santana

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

João Campos

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos, Wellington Dias

MEIO AMBIENTE

Marina Silva

COMUNICAÇÃO

André Janones