O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.FOTO: EPA/JULIEN DE ROSA / POOL

Primeiro-ministro francês pede aos autarcas que declarem o "recolher obrigatório parcial" esta noite

Lecornu falou aos jornalistas após a reunião de crise para tentar evitar novas cenas de violência como a que se registou no fim de semana.
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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, pediu aos autarcas que declarem um "recolher obrigatório parcial e muito localizado" esta noite, para travar mais cenas de violência como as que se registaram no fim de semana em várias cidades franceses.

Lecornu falava no final da reunião de crise. "Não se pode permitir que se instalem", afirmou o primeiro-ministro em relação aos saques e pilhagens, acrescentando que o Ministério do Interior divulgará, durante a tarde, um "mapeamento bastante preciso" das zonas afetadas.

Em Marselha, as autoridades locais já declararam a proibição de manifestações entre as 12h00 e as 20h00, para tentar evitar novas cenas de violência.

Questionado sobre a possibilidade de declarar o Estado de Emergência, Lecornu disse que "neste momento, o recolher obrigatório parece-me mais adequado à situação", dizendo que o Estado de Emergência é um mecanismo "pesado". Mas não excluiu essa possibilidade.

Os protestos sobre o custo de vida, que levaram milhares de franceses às ruas no sábado, terminaram em violência, com pilhagens e destruição de edifícios públicos. No domingo houve novas cenas de violência. Mais de duas mil pessoas foram detidas e 600 membros das forças de segurança e bombeiros ficaram feridos.

Lecornu aponta dedo à extrema-esquerda

Lecornu, tal como na véspera o presidente Emmanuel Macron, acusou a "extrema-esquerda" de querer "uma desordem profunda" em França até às eleições presidenciais, que se celebram no próximo ano.

"Há toda uma nebulosa que se pode ativar, chegando mesmo a questionar o calendário das presidenciais e a própria realização do escrutínio", referiu, dizendo que fará "uma análise específica" sobre esta questão com o ministro do Interior e os serviços de informação.

Lecornu defendeu ainda "uma resposta penal rigorosa face à violência" e assegura que começa esta segunda-feira (19 de outubro) uma "operação judicial de grande escala".

Defesa das forças policiais

O primeiro-ministro saiu também em defesa da polícia. "Há três semanas que nos explicam que a polícia mata e fere e há dois dias que nos questionam sobre o que faz a polícia. É uma esquizofrenia muito francesa", declarou.

"Não se pode permitir a instrumentalização da polícia no debate eleitoral desta eleição presidencial", insistiu, com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, cuja demissão foi rejeitada pelo presidente Emmanuel Macron, a dizer que haverá um reforço policial nas ruas.

"As forças da ordem estão a fazer o seu trabalho num contexto muito difícil e segundo uma doutrina conhecida", referiu Lecornu, dizendo que uma possível mudança de doutrina "fará parte dos pontos" que pretende "abordar com as forças políticas".

O primeiro-ministro reiterou ainda a sua confiança no ministro do Interior. "Creio que a situação é suficientemente difícil para não entrarmos no jogo das demissões", afirmou. "Nos momentos difíceis, o Estado mantém-se firme, e reafirmamos a confiança naqueles que têm a coragem de tomar decisões", acrescentou.

Medidas para ajudar comércio

Pelo menos três mil estabelecimentos comerciais foram afetados pela violência do fim de semana, com o governo a anunciar que podem beneficiar de "um fundo de apoio específico".

Além disso, foi implementado o regime de desemprego parcial, com uma compensação correspondente a 100% do salário bruto por cada hora não trabalhada, em vez dos atuais 60%, a partir de terça-feira.

"Trata-se de uma medida de proteção do emprego. Está fora de questão que haja custos sociais neste caso, depois de já termos conhecido a destruição pura e simples", declarou Lecornu.

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