Uma rua de Paris, com as marcas da violência de sábado (17 de outubro).
Uma rua de Paris, com as marcas da violência de sábado (17 de outubro).FOTO:EPA/MOHAMMED BADRA

Macron fala aos franceses esta noite. Mais de duas mil pessoas detidas após protestos acabarem em violência

Palácio do Eliseu anunciou declaração às 20h00 locais (19h00 em Lisboa), depois de encontro com primeiro-ministro e outros ministros.
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O presidente francês, Emmanuel Macron, fala esta noite aos franceses, um dia depois de os protestos que reuniram centenas de milhares de pessoas terem descambado em violência, com edifícios e carros queimados, lojas pilhadas e membros das forças de segurança feridos. Pelo menos duas mil pessoas já foram detidas.

O "pronunciamento solene" está marcado para as 20h00 locais (19h00 em Portugal Continental), indicou o Palácio do Eliseu, depois de receber pelas 17h30 (16h30 em Lisboa) o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e os ministros do governo envolvidos.

Os protestos sobre o aumento do custo de vida, que segundo algumas organizações levaram 800 mil pessoas a desfilar em várias cidades francesas (o governo fala em 550 mil), acabaram em violência e pilhagens.

Segundo o último balanço do ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, pelo menos duas mil pessoas já foram detidas e mais de 600 polícias, bombeiros e outros membros das forças de segurança ficaram feridos.

"Manifestar-se é um direito fundamental. Semear a desordem com violência e de forma coordenada não o é. Atacar as nossas forças de segurança, investir contra as nossas instituições, depredar edifícios públicos, invadir câmaras municipais ou sedes administrativas, saquear estabelecimentos comerciais: nada disto se pode justificar", escreveu o ministro no X.

Em Limoges, a câmara municipal, do século XIX, foi destruída pelo fogo, enquanto noutras cidades os edifícios chegaram a ser invadidos e há danos em Marselha ou Lille.

"A câmara municipal de Limoges vai ser reconstruída, pois é o símbolo de uma nação que não se deixa abater nem intimidar", afirmou o primeiro-ministro numa carta enviada ao autarca local, citada pelo jornal Le Monde.

Lecornu faz três promessas: "garantir a continuidade dos serviços públicos devidos à população (...); permitir a reconstrução o mais breve possível (...); o Estado mobilizará as seguradoras para que as indemnizações ocorram o mais rapidamente possível."

Na carta a Guillaume Guérin, do partido Os Republicanos, o primeiro-ministro anuncia ainda que visitará Limoges esta semana com "vários membros do governo", considerando o que aconteceu um "ataque contra a República".

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