O Presidente de Cuba afirmou esta quinta-feira, 14 de maio, que a suspensão do bloqueio norte-americano seria a forma "mais simples" de ajuda ao país, após Washington disponibilizar uma doação de 100 milhões de dólares (85,6 milhões de euros)."Seria possível atenuar os danos de forma mais simples e rápida levantando ou aliviando o bloqueio, uma vez que é de conhecimento público que a situação humanitária [da ilha] é calculada e provocada friamente" por Washington, afirmou Miguel Díaz-Canel na rede social X.. Cuba está submetida desde o final de janeiro a um bloqueio energético dos Estados Unidos e enfrenta há semanas cortes prolongados de eletricidade, para crescente desespero dos seus habitantes.Perante a proposta de 100 milhões de dólares em "assistência humanitária direta ao povo cubano" reiterada por Washington, também esta quinta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que as autoridades da ilha estão "dispostas a ouvir as características da oferta e a forma como se concretizaria"."Pela primeira vez, o governo dos EUA formaliza de maneira pública, através de um comunicado do Departamento de Estado, uma oferta de ajuda a Cuba avaliada em 100 milhões de dólares", reconheceu o chefe da diplomacia cubana nas suas redes sociais."Estamos dispostos a ouvir as características da oferta e a forma como se concretizaria", afirmou Rodriguez, salientando que espera que aquele apoio "seja livre de manobras políticas e de tentativas de aproveitar as carências e a dor de um povo sob cerco".Por seu turno, Miguel Díaz-Canel assinalou que, se existe "verdadeiramente" disposição do Governo dos Estados Unidos para "proporcionar ajuda nos montantes que anuncia e em plena conformidade com as práticas universalmente reconhecidas para a ajuda humanitária, não encontrará obstáculos nem ingratidão da parte de Cuba"."As prioridades" da ilha são “mais do que evidentes: combustíveis, alimentos e medicamentos", frisou.O Departamento de Estado norte-americano anunciou na quarta-feira em comunicado que reiterava a sua oferta de 100 milhões de dólares em "assistência humanitária direta ao povo cubano, a qual seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes e confiáveis".A nota assinalava, além disso, que a decisão de receber essa assistência cabe agora ao Governo cubano que pode "aceitar a oferta ou rejeitar uma ajuda vital e crucial" para a ilha.O chefe da diplomacia cubana qualificou ainda como "incongruência a aparente generosidade de parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo por meio da guerra económica".