Presidente da Colômbia, Gustavo Petro.
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro.EPA

Presidente colombiano critica declarações de Trump sobre fecho do espaço aéreo da Venezuela

"Por que norma do direito internacional pode um presidente de um país fechar o espaço aéreo de outra nação?", questiona Gustavo Petro, líder da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas.
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O chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro, afirmou este domingo, 30 de novembro, que um presidente estrangeiro não pode declarar o espaço aéreo de outro país encerrado, numa reação às declarações recentes de Donald Trump sobre a Venezuela.

No sábado, o presidente norte-americano salientou que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado "completamente fechado", numa altura em que o seu Governo intensifica a pressão sobre a Venezuela de Nicolás Maduro, com um grande destacamento militar nas Caraíbas.

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Trump avisa que espaço aéreo venezuelano está "totalmente fechado"

Caracas alertou que estas declarações constituem uma "ameaça colonialista" que afeta a soberania do país.

"Gostaria de saber por que norma do direito internacional pode um Presidente de um país fechar o espaço aéreo de outra nação?", questionou Gustavo Petro, que também preside à Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), sem mencionar explicitamente Donald Trump.

Na mensagem publicada na rede social X, o chefe de Estado da Colômbia salientou que o espaço aéreo nacional “não pode ser fechado por um Presidente estrangeiro, caso contrário, os conceitos de soberania nacional e ‘direito internacional’ deixariam de existir”.

Em novo post na rede X, Gustavo Petro diz mesmo que "o encerramento do espaço aéreo na Venezuela é "completamente ilegal". E que "não há autorização do Conselho de Segurança da ONU para ações militares sobre o nosso vizinho".

Sob o pretexto de combater o narcotráfico, Washington mantém desde setembro um destacamento naval e aéreo em águas das Caraíbas próximas da Venezuela, tendo mesmo mobilizado o maior porta-aviões do mundo para a região.

Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) recomendou “extrema cautela” ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas devido ao que considera “uma situação potencialmente perigosa” na região.

Várias companhias aéreas, incluindo a TAP, suspenderam então os seus voos para aquele país.

O Governo venezuelano decidiu revogar posteriormente as licenças de operação da TAP, Iberia, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol, acusando-as de se “unirem aos atos de terrorismo” promovidos pelos Estados Unidos.

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Consulados estão a disponibilizar canais de urgência para apoiar portugueses na Venezuela

Os consulados-gerais de Portugal nas cidades venezuelanas de Caracas e Valência disponibilizaram canais telefónicos de emergência para os portugueses radicados na Venezuela, com o propósito de garantir proteção e assistência aos compatriotas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, no sábado, que está a acompanhar em permanência a situação na Venezuela, reafirmando preocupação com o momento complicado que vive a comunidade portuguesa.

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