Que eleições se realizam este domingo (19 de abril) na Bulgária?São umas eleições parlamentares antecipadas convocadas após a demissão do governo de Rosen Zhelyazkov (GERB) a 11 de dezembro, provocada por protestos contra a corrupção entre a elite governamental, ao anúncio de aumentos de impostos e de contribuições para a Segurança Social. O então presidente Rumen Radev ainda chamou os três principais partidos do país - GERB (centro-direita, populista), PP-DB (centro) e APS (centro) - numa tentativa de formar um governo, mas sem sucesso, abrindo a porta para este ato eleitoral. A 18 de fevereiro, a já presidente Iliana Iotova nomeou um governo interino liderado por Andrey Gyurov, do Continuamos a Mudança (PP) e marcou uma eleição parlamentar para 19 de abril.O que faz destas eleições especiais?Esta será a oitava vez desde abril de 2021, que os 6,6 milhões de eleitores da Bulgária são chamados às urnas para eleger os 240 deputados da Assembleia Nacional. Ainda em 2021 realizaram-se eleições em julho e novembro, depois em outubro de 2022, abril de 2023 e, finalmente, em junho e outubro de 2024.O que levou a tantas eleições?Em todas as eleições, o GERB (Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária), liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borisov, saiu vitorioso, mas falhou sempre a formação de uma coligação estável e duradoura.Nos últimos meses, a Bulgária também mudou de presidente. Realizaram-se eleições?Não. A 19 de janeiro, o presidente Rumen Radev, no cargo desde 2017, anunciou a intenção de se demitir, o que aconteceu no dia seguinte, com a sua vice Iliana Iotova a assumir funções a 23 do mesmo mês, tornando-se na primeira mulher a ocupar a presidência da Bulgária. O mandato de Radev era suposto terminar em novembro, sendo esperado que se mantenha a realização de presidenciais até final deste ano. O que levou Radev a demitir-se antes do final do seu mandato? No discurso em que anunciou a sua saída da presidência, Rumen Radev, de 62 anos, afirmou estar ansioso por participar na “batalha pelo futuro” da Bulgária, país que faz parte da União Europeia e da NATO, tendo entrado na zona euro a 1 de janeiro, deixando antever que planeava candidatar-se nas eleições deste domingo. Radev já havia sido questionado anteriormente sobre esse potencial cenário, tendo respondido que era necessário um partido que “unisse todos os democratas - de esquerda e de direita - independentemente da sua filiação ou da sua ação política, porque todos precisamos de eleições justas e de um desenvolvimento democrático e livre”..Presidente da Bulgária anuncia a sua demissão.Confirma-se que Radev formou um partido e é candidato?Radev apresentou no início de março uma coligação de centro-esquerda chamada Bulgária Progressista - composta pelo movimento Sociais-Democratas (PDS), pelo Partido Social Democrata (SDP) e pelo Movimento Nosso Povo (DNN). Segundo Helen Levy, investigadora da Fundação Robert Schuman, Radev, um antigo comandante da Força Aérea, “apoiou os protestos de rua no final de 2025 e prometeu ‘ir ao encontro das expetativas dos búlgaros desmantelando o modelo oligárquico de corrupção’. É conhecido pelas suas críticas à UE , pela sua relutância em relação à adesão da Bulgária à zona euro e pelas suas reservas quanto ao fornecimento de armas à Ucrânia”. O que dizem as sondagens?O Bulgária Progressista tem liderado todas as sondagens, ultrapassando o GERB, apresentando uma intenção de voto entre os 35,3% e os 28,4% e uma vantagem entre os 15,5 e os 5% em relação ao partido de Borisov. Há que ter ainda em conta que Radev é dos poucos políticos romenos com nota positiva - sondagens de dezembro, antes da sua demissão, mostravam que beneficiava de 54% de aprovação.Pode Radev ser a solução de estabilidade?Para a académica Radosveta Vassileva, numa análise publicada no New Eastern Europe, “o potencial papel de Radev no futuro é uma questão, antes de mais, matemática” - conseguirá votos para formar o seu próprio governo ou terá de fazer acordos com outros partidos. “Mais importante ainda, o que se segue é uma questão de princípios. É aqui que o próprio caráter de Radev pode falhar. Embora seja uma ilha de estabilidade num oceano de políticos dececionantes, Radev não é conhecido por movimentos políticos ousados. Tem, infelizmente, um historial de declarações públicas corajosas, que não foram seguidas de ações concretas. Essas escolhas foram influenciadas pela natureza do cargo presidencial ou pela sua própria personalidade? Esta é uma questão crucial cuja resposta pode determinar o futuro do Estado de Direito na Bulgária”. O que se pode esperar deste ato eleitoral?O primeiro-ministro interino búlgaro, Andrey Gyurov, garantiu que as eleições de domingo serão das mais limpas do país em anos, após o seu governo ter lançado esforços para combater a desinformação generalizada e a corrupção (a Bulgária é um dos países mais corruptos da Europa), tendo dezenas de pessoas já sido detidas nas últimas semanas por alegado envolvimento na compra de votos. Além da presença de observadores internacionais, George Sharkov, ministro responsável pelo governo eletrónico, explicou que todas as máquinas utilizadas na eleição serão verificadas antes do início da votação para detetar eventuais anomalias, e serão instalados sistemas de videovigilância em todas as assembleias de voto para fornecer cobertura em direto, entre outras medidas de segurança..Bulgária torna-se hoje no 21.º país a aderir ao euro em altura de crise política